Estudo diz que os PHEV têm emissões seis vezes superiores ao anunciado

Estudo aponta que carros híbridos plug-in emitem até seis vezes mais

Automóveis

Os veículos híbridos plug-in (PHEV) matriculados em 2024 emitiram, em média, quase seis vezes mais dióxido de carbono do que os valores oficiais indicavam nos testes de laboratório. A constatação é de um levantamento recente divulgado pela organização não-governamental europeia Transport & Environment (T&E), que analisou dados de utilização de cerca de 220 mil automóveis. Em 2023, essa diferença entre a teoria e a prática era de aproximadamente cinco vezes.

A distância entre a homologação e a realidade

Enquanto os testes de homologação WLTP apontavam para uma média de apenas 24 g/km de CO₂, os dados de utilização real demonstraram que as emissões efetivas rondaram os 145 g/km de CO₂. Para se ter uma ideia do impacto, as emissões reais desses veículos foram apenas 14% inferiores às registadas por automóveis tradicionais a combustão e híbridos convencionais. Nos testes oficiais, essa margem de diferença chegava a impressionantes 83%.

O estudo aponta que os híbridos plug-in analisados percorreram, em média, apenas 27% dos quilómetros em modo exclusivamente elétrico. Além disso, mesmo quando circulavam com energia disponível na bateria, o motor a combustão continuava a acionar-se em cerca de um terço dos quilómetros percorridos no modo que utiliza progressivamente a carga do acumulador.

O fator de utilização e o problema das estimativas

Essa disparidade massiva está diretamente ligada ao chamado fator de utilização (“Utility Factor”), a variável estatística utilizada para estimar a percentagem de percurso que um automóvel fará utilizando eletricidade. Historicamente, as previsões dos testes de homologação foram excessivamente otimistas. Antes de 2025, estimava-se que um PHEV com 100 km de autonomia elétrica rodaria cerca de 90% do tempo em modo zero emissões.

Com a chegada das regras Euro 6e-bis em janeiro de 2025 (e estendida a novos modelos em janeiro de 2026), essa proporção foi revista para cerca de dois terços. Em 2027, o cálculo sofrerá nova alteração por meio da norma Euro 6e-bis-FCM, que elevará a distância de referência do teste para 4260 km.

Mais autonomia não é sinônimo de menos emissões

Embora o aumento das baterias tenha sido impulsionado pelas novas diretrizes, o estudo demonstra que apenas ter maior autonomia elétrica não basta. A potência do motor elétrico em relação ao propulsor térmico é um fator determinante.

Os dados indicam que os híbridos cujos motores elétricos superam em pelo menos 25% a potência do motor de combustão registraram uma média real de 108 g/km de CO₂. Em contrapartida, nos modelos em que o motor elétrico tem menos da metade da potência do motor a combustão, essa média disparou para 227 g/km.

Diante do debate na União Europeia sobre a manutenção dessas correções normativas, a T&E reforça a urgência de manter regras rigorosas. Segundo Lucien Mathieu, diretor de automóveis da organização, recuar nas alterações ao fator de utilidade seria “enganar os consumidores e manipular os cálculos de emissões dos automóveis”.

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