Flávio Bolsonaro cogita vincular Caixa e BB a ministério da área social caso eleito

Flávio Bolsonaro estuda ligar Caixa e BB a ministério social

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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cogita vincular a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ao ministério que cuidará da área social, caso ele seja eleito no domingo (25), segundo pessoas ligadas à campanha ouvidas pela Folha. Daniella Marques, assessora econômica do candidato do PL, é a principal cotada para comandar a pasta. Ela já foi presidente da Caixa no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL). Os dois bancos são atualmente vinculados ao Ministério da Fazenda.

Como mostrou a Folha, a pasta social —que has sido citada na campanha como Ministério da Prosperidade— terá alcance ampliado, abarcando também a temática de mulheres. Há ainda a possibilidade de o órgão assumir ações ligadas ao empreendedorismo e ao trabalho, mas o desenho final ainda não está fechado.

Turbinar esse ministério com os bancos públicos seria um reconhecimento a Marques, aliada de primeira hora de Flávio e que se manteve leal ao senador mesmo em momentos mais delicados da campanha, como quando o candidato entrou em rota de colisão com Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama e eleita senadora pelo Distrito Federal. O apoio da ex-presidente da Caixa no episódio ajudou Flávio a manter uma ponte com o eleitorado feminino, público essencial para a votação nas urnas.

Marques também chegou a aparecer como possível vice de Flávio, mas a inclusão de seu nome na chapa esbarrou na decisão do Republicanos (sigla à qual ela era filiada) de não compor aliança com o PL. Ao longo da campanha, Marques ganhou influência a ponto de ser cogitada para o Ministério da Fazenda. Mas a ideia perdeu força na reta final do primeiro turno. Dessa forma, aumentar a relevância deste novo ministério da área social seria uma maneira de contemplar a aliada, a única figura feminina recorrente na campanha do candidato do PL.

Segundo pessoas próximas, a indicação de Marques para o comando da pasta ainda precisará ser confirmada por Flávio, se ele for eleito, mas o nome da ex-presidente da Caixa desponta como o favorito. Marques já havia dado indicações de que, uma vez ministra, não abriria mão da instituição que comandou. A empresários ela também sinalizou que almeja influenciar as escolhas para o comando da Fazenda e dos bancos públicos. No entanto, são decisões que não dependerão só dela.

Abrigar Caixa e BB sob a alçada do ministério social não é consenso na equipe de Flávio. Entre auxiliares, há a avaliação de que a Caixa toca programas de naturezas distintas, inclusive obras regionales e o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Ou seja, a atuação não está restrita à área social. Além disso, o banco 100% estatal acaba operando como um braço político importante, motivo pelo qual seu comando desperta a cobiça de partidos do centrão. Hoje, a Caixa é comandada por Carlos Vieira, indicado de Arthur Lira (PP-AL). Já o BB tem como presidente Tarciana Medeiros, indicada pelo PT.

Em 2022, Marques comandou a Caixa na reta final do governo de Jair Bolsonaro no lugar de Pedro Guimarães, que deixou o cargo após acusações de assédio sexual. Sob sua gestão, o banco operou como um braço relevante do governo nas eleições. Em outubro, às vésperas do segundo turno, o banco passou a oferecer empréstimo consignado para os beneficiários do então Auxílio Brasil –Jair Bolsonaro trocou o nome do Bolsa Família, para marcar oposição a Lula. Até 1º de novembro de 2022, os bancos emprestaram R$ 9,5 bilhões nessa linha, dos quais R$ 7,6 bilhões foram liberados pela Caixa. Após a derrota de Jair Bolsonaro no segundo turno, o banco estatal suspendeu a oferta da linha. Sob Lula, a modalidade foi extinta de forma definitiva. O TCU (Tribunal de Contas da União) chegou a instaurar um processo para apurar o uso político da linha de crédito nas eleições daquele ano, mas a ação acabou arquivada em 2024.

No programa de governo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Flávio Bolsonaro afirma que a Caixa deixará de ser “apenas a operadora de benefícios” para se tornar o “Banco da Prosperidade”, com a promessa de ajudar os clientes a construir patrimônio e conquistar autonomia financeira. Ele propõe a criação de um programa chamado “Ganha-Ganha”, no qual o cliente poderá acumular pontos a partir de ações como a conclusão de um curso de qualificação ou a formalização de um negócio. Esse cadastro positivo, de acordo com a proposta, será revertido em juros menores, cashback e acesso facilitado a crédito.

O Banco do Brasil, por sua vez, não é citado no plano de governo de Flávio. Uma declaração de Marques em um evento do Grupo Esfera, em setembro, gerou ruídos sobre o futuro da instituição e especulações sobre a possibilidade de privatização do BB. Na ocasião, ela comentava a situação dos Correios após ser questionada sobre quais estatais deveriam ser privatizadas logo no início de governo, caso Flávio fosse eleito.

“A gente tem mais de 20 estatais dependentes, muitas delas que não fazem sentido de existir. Antes de qualquer nome, mesmo um Banco do Brasil poderia, o Banco do Brasil negocia hoje menos de uma vez o patrimônio. A gente precisa reestruturar, sanar, profissionalizar de novo a gestão, recuperar valor, fortalecer a governança em um time técnico de gestão”, disse na ocasião.

A declaração foi recebida internamente no BB com preocupação entre os executivos do banco, segundo relatos ouvidos pela Folha. O economista Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha de Flávio, negou que o ajuste fiscal prometido pelo candidato do PL passe pela privatização dos bancos públicos. “Você que está em Banco do Brasil, Caixa e Petrobras, não tem privatização coisa nenhuma. Podem ficar tranquilos”, disse em vídeo publicado na segunda (19) nas redes sociais. No início do mês, Sachsida, que já foi ministro de Minas e Energia no governo de Jair Bolsonaro, tinha se comprometido publicamente sobre o tema, falando em fortalecimento da gestão de estatais.

O tema da privatização do BB também rondou o início da gestão Bolsonaro, em 2019, mas não foi adiante. O primeiro a assumir o comando foi Rubem Novaes, que compunha o núcleo duro da equipe econômica do ex-ministro Paulo Guedes. Na época, Novaes fez uma série de aparições públicas defendendo a privatização do banco, alinhado ao discurso de Guedes, mas contrariando a posição do chefe do Executivo. Sua gestão também foi marcada pelo conservadorismo e pelo retrocesso em políticas de diversidade, o que o levou rapidamente a perder apoio dos funcionários. O episódio mais emblemático foi o veto do então presidente Jair Bolsonaro a uma campanha publicitária do banco dirigida ao público jovem, com atores representando a diversidade racial e sexual.

Exonerado em setembro de 2020, foi substituído por André Guilherme Brandão, que ficou pouco tempo no cargo. O anúncio de um plano de demissão voluntária e enxugamento do BB desencadeou um processo de fritura do presidente da instituição, que renunciou em março de 2021. Em um intervalo de seis meses, o banco chegou ao seu terceiro presidente: Fausto Ribeiro. Funcionário de carreira, ele enviou uma carta aos funcionários dizendo que atuaria de forma alinhada às diretrizes do governo federal. Ribeiro chegou a ser chamado por comissão do Senado para prestar esclarecimentos sobre supostas restrições de crédito para estados comandados por adversários políticos de Jair Bolsonaro, como revelado pela Folha.

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