Flávio diz que não irá trabalhar para reverter fim da 6x1 e garante manter reajuste do mínimo e aposentadorias

Flávio descarta rever escala 6×1 e garante ganho real do mínimo

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assegurou nesta sexta-feira que não trabalhará para tentar restabelecer o modelo de trabalho conhecido como escala 6×1. Embora inicialmente se colocasse contra a alteração, o parlamentar reviu seu posicionamento após a repercussão popular e o avanço da pauta no Congresso.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a jornada 6×1 era uma das bandeiras centrais da campanha petista. O texto foi aprovado no Senado na última quarta-feira e promulgado na manhã desta sexta, em cerimônia com a presença de Lula.

“Não vou… é importante a sua pergunta, todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Cada um pode ter sua opinião individual, mas da minha parte isso aqui está respeitado, foi uma decisão do Congresso Nacional. Então da minha parte nenhum questionamento com relação a isso”, frisou o candidato, alegando ter mudado de ideia após dialogar com o eleitorado durante a campanha.

Metas fiscais e cortes no governo

No campo econômico, Flávio afirmou que manterá a política de valorização do salário mínimo acima do índice da inflação, garantiu que não desvinculará a correção dos benefícios previdenciários e assegurou a preservação dos pisos constitucionais para repasses em saúde e educação. Essas medidas são frequentemente defendidas por especialistas para conter o endividamento do país, cuja dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, conforme levantamento do Banco Central.

Membros da equipe econômica de Flávio indicam a meta de estruturar um plano de ajuste de até R$ 250 bilhões. Para atingir o equilíbrio fiscal sem atingir despesas sociais ou o funcionalismo, o parlamentar propõe extinguir ao menos 10 dos atuais 39 ministérios, combater fraudes e desvios em empresas estatais e operacionalizar a securitização de créditos a receber da União, além de imóveis públicos estimados em R$ 1,7 trilhão.

“O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”, declarou o senador, que adotou tom crítico em relação ao mandatário em diferentes momentos de sua participação.

Fim da reeleição e relação familiar

O candidato do PL manifestou apoio formal a uma PEC para extinguir a reeleição presidencial, declarando que apenas quatro anos de governo seriam suficientes para realizar suas metas. A respeito da extensão da medida para governadores, congressistas ou de uma ampliação do tempo de mandato, ressaltou que a definição caberá aos parlamentares.

Em relação à composição ministerial, Flávio descartou nomear seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para o comando do Ministério das Relações Exteriores. Sobre uma eventual função destinada a Jair Bolsonaro, indicou indefinição: “Não está no radar”. Em seguida, emendou: “O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, tenho o privilégio de na hora que tiver que consultar, vou falar com ele”.

O congressista classificou como “farsa” a condenação do pai no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre tentativa de golpe de Estado, apontando falhas nos procedimentos e citando o ministro Alexandre de Moraes. Contudo, declarou que acatará a decisão popular nas urnas no próximo dia 25: “Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí, independente de qual for o resultado, eu vou respeitar”, complementando que confia na população “escolhendo a mudança”. Na primeira etapa do pleito, Flávio computou 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.

Críticas e investigações no Judiciário

Ao tratar da Suprema Corte, o candidato defendeu uma reforma na instituição para restabelecer sua imagem pública e reiterou a defesa do impeachment de Alexandre de Moraes. Questionado sobre a interlocução do ministro e do magistrado Nunes Marques com o empresário Daniel Vorcaro, resumiu: “Todo mundo tem que estar abaixo da lei”.

Flávio declarou ainda que suas tratativas com Vorcaro limitaram-se à busca de patrocínio privado para o documentário “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, sem qualquer promessa de favorecimento. O senador é alvo de inquérito da Polícia Federal que apura lavagem de dinheiro, crimes de corrupção e evasão de divisas no caso. Um pedido da PF de extensão das apurações por mais 90 dias aguarda deliberação no STF.

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