O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais no último domingo, entrou nos Estados Unidos por meio de uma autorização normalmente concedida a imigrantes por “razões humanitárias”. No documento de imigração do parlamentar, consta a classe de admissão “DT”.
Na prática, a sigla indica que a permissão de entrada foi concedida no próprio local de entrada por meio de uma autorização temporária, não por causa de um visto previamente concedido. O registro, emitido em 28 de outubro de 2026, autoriza a permanência de Flávio por um ano, até 27 de outubro de 2027. Inicialmente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos indicaram que o país emitiria vistos para o senador e sua família. O dado da entrada de Flávio, entretanto, indica que isso ainda não foi realizado.
A admissão permite ao governo americano autorizar, caso a caso, a entrada temporária de estrangeiros, seja por “razões humanitárias”, seja por “benefício público significativo”. A decisão é tomada pelas autoridades americanas encarregadas da entrada e saída de imigrantes na fronteira e aeroportos.
A entrada por essa forma é considerada incomum, já que permite a entrada de alguém no país mesmo que não se enquadre nos requisitos normais de entrada. Com a permissão atual, Flávio e sua família poderão permanecer no país pelo prazo definido até a mudança de seus status migratório. O governo também pode encerrar a permissão.
Os passaportes comum e diplomático do senador foram cancelados na terça-feira, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que fossem entregues à Polícia Federal.
A saída do Brasil
O voo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mulher e duas filhas pousou em Miami, nos Estados Unidos, às 10h24 desta quarta-feira, horário de Brasília. Imagens ao vivo do aeroporto mostraram ele e os familiares desembarcando do jatinho às 10h31.
Após descer do avião, Flávio e sua família entraram em uma sala no aeroporto, onde ficaram por alguns minutos. Logo depois, os quatro deixaram o local e deixaram o local em um veículo utilitário de cor preta que estava esperando o grupo desde a chegada do avião. O senador e sua família deixaram o local no carro com homens que usavam uniformes pretos. Não foi possível identificar, entretanto, se eles eram policiais ou de alguma agência do governo norte-americano.
O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano.
Questionado na terça-feira, o presidente americano Donald Trump que permitiria a entrada dos Bolsonaros nos Estados Unidos porque eles são “pessoas decentes” e a eleição de domingo “foi terrível”. Os Estados Unidos estariam cientes da planejada saída de Flávio do Brasil.
Questionado sobre o caso, o presidente dos EUA declarou: “Não vou comentar. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país, mas não vou me envolver”.
Sobre a situação do mandato, a perda do cargo não é automática e só ocorreria por faltas excessivas sem justificativa. O político pode solicitar licença particular até o fim do mandato.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
