A expressiva marca de mais de 9 milhões de turistas estrangeiros recebidos pelo Brasil em 2025 pode sofrer retrocessos caso Flávio Bolsonaro vença as eleições presidenciais. O alerta é de Marcelo Freixo, deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro e ex-presidente da Embratur, que também manifesta receio quanto a ameaças ao livre acesso da população às praias brasileiras.
Segundo o ex-dirigente da agência de promoção internacional, a guinada do setor na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva resultou de um processo profundo de modernização institucional, contrastando com o modelo adotado no governo de Jair Bolsonaro.
“Nós cortamos isso e construímos uma equipe técnica muito reconhecida, que criou um centro de inteligência de dados que nunca existiu antes”, disse ele. “Temos uma experiência muito concreta do que foi feito em um governo, e do que foi feito no outro, né? É incomparável.”
Salto histórico no fluxo de estrangeiros
Ao avaliar o cenário para a disputa de segundo turno, Freixo enfatizou que o país saltou de 3,5 milhões de viajantes internacionais — patamar de quando assumiu a autarquia — para os atuais 9,3 milhões, superando com folga a antiga máxima histórica nacional de 6,5 milhões. Com esse desempenho, o Brasil assumiu a liderança na recepção de turistas na América do Sul, ultrapassando concorrentes regionais diretos como Argentina, Colômbia e Peru, além de estreitar laços com o mercado chinês.
O parlamentar aponta que a reestruturação da imagem externa do país e a retomada das relações diplomáticas foram decisivas para esse resultado. Na visão de Freixo, o desgaste diplomático da gestão anterior com nações estratégicas, a exemplo da França, e a postura de negacionismo climático prejudicaram severamente a atratividade do Brasil, uma vez que viajantes internacionais priorizam destinos comprometidos com a preservação ambiental e o combate ao desmatamento.
Parcerias público-privadas versus privatização de praias
Ao contrapor os projetos econômicos em disputa, Freixo defendeu a integração sadia entre o poder público e as empresas privadas, ressaltando iniciativas técnicas bem-sucedidas viabilizadas pela Embratur.
“Apresentamos os nossos números à AirFrance e hoje temos voos [de Paris] para Fortaleza, para Salvador… Também tivemos parcerias público-privadas que viabilizaram investimentos em aeroportos por todo o país”, disse. “Esses são exemplos concretos de boas relações público-privada. O problema é que eles querem, fundamentalmente, a privatização de espaços públicos, como as praias.”
Para blindar o órgão contra descontinuidades e ingerências políticas que marcaram gestões passadas, Freixo ressaltou a realização de concurso público para o quadro funcional. Questionado ainda sobre a cessão do Ministério do Turismo a partidos do centrão, ele minimizou atritos ideológicos e afirmou que a necessidade de compor alianças é rotina em qualquer governo democrático, mantendo a produtividade dos projetos intacta.
Por fim, o deputado defendeu que o turismo deve ter papel central na comunicação da reta final da campanha de Lula, por se tratar de um setor dinâmico na geração do primeiro emprego em hotéis e restaurantes e por simbolizar oportunidades reais de futuro para a população.
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