Fundo de aposentadoria dos servidores paraguaios está praticamente falido após caso Ueno, diz sindicato a jornal

Crise no Ueno Bank ameaça aposentadoria de servidores no Paraguai

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A instabilidade envolvendo o Ueno Bank colocou em risco aproximadamente US$ 60 milhões da Caixa Fiscal, o regime previdenciário dos servidores públicos do Paraguai. O alerta foi feito neste sábado (7) por Silvio Piris, presidente da FEP (Federação de Educadores do Paraguai), que classificou o cenário como alarmante para o funcionalismo estatal.

Diante do quadro, o dirigente anunciou uma greve nacional dos professores com início nesta segunda-feira (9), resultando na paralisação das aulas nas escolas públicas de todo o território paraguaio.

“Contribuímos com mais 3% para o fundo público, e é inacceptável que esse dinheiro se perca. Também exigiremos garantias de recuperação dos US$ 350 milhões pertencentes ao IPS, além da agilização dos processos de aposentadoria dos colegas que já tiveram o benefício aprovado”, afirmou Piris, segundo o ABC Color.

Balanço financeiro e impactos Informações repassadas pelo Ministério da Economia e Finanças apontam que US$ 40 milhões do fundo previdenciário foram alocados no banco por meio de certificados de depósito de poupança, enquanto outros US$ 19,8 milhões representam juros pendentes de recebimento. Em outra frente, o IPS contava com US$ 278,4 milhões investidos na mesma instituição.

Os certificados de depósito possuem cobertura do FGD (Fondo de Garantía de Depósitos) — equivalente paraguaio ao FGC brasileiro —, desde que atendam aos requisitos legais. O teto de ressarcimento é de 75 salários mínimos por titular e instituição, somando capital e rendimentos acumulados.

Lideranças sindicais apontam que a lentidão nos reembolsos e a dúvida sobre a repatriação integral dos montantes comprometem a previsibilidade dos repasses aos inativos e a viabilidade do modelo a longo prazo.

“Os aposentados são os mais afetados por essa situação, porque não sabem por quanto tempo continuarão recebendo suas pensões. Nós, professores da ativa, também não sabemos se conseguiremos nos aposentar, porque o fundo público de pensões está praticamente falido”, afirmou Piris.

Crise política e falhas estruturais O escândalo financeiro desencadeou uma profunda instabilidade política no país. O ex-presidente Santiago Peña foi preso na sexta-feira (6), horas depois de o Congresso aprovar seu impeachment no contexto das apurações sobre seus vínculos com o banco.

Peña atuou como investidor da holding que controla a instituição e, em 2023, designou Carlos Carvallo — então CEO do Ueno — para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo deixou o posto na companhia nesta semana e também teve mandado de prisão expedido na última sexta.

O colapso do Ueno Bank emergiu após o recuo do índice de solvência, métrica que avalia a resiliência de um banco frente a perdas, para 5,56%. O patamar ficou bem abaixo do patamar mínimo regulatório exigido no Paraguai, fixado em 12%.

As apurações apontaram falhas graves na análise de risco de crédito, divergências em dados contábeis empregados na liberação de financiamentos e transações direcionadas a companhias associadas aos acionistas do banco. Conforme relatado pelo ex-chefe do Banco Central, Carlos Carvallo, as auditorias também detectaram empréstimos repassados a empresas vinculadas ao grupo controlador do empreendimento.

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