Pouco depois de deixar a presidência da Ray-Ban, o empresário Leonardo Maria del Vecchio planeja apresentar uma proposta de 7,15 milhões de euros (R$ 43,48 milhões) para comprar a editora responsável pelo periódico italiano Il Fatto Quotidiano. Caso seja concretizada, a aquisição não solicitada vai expandir os aportes do executivo no setor de comunicação.
De acordo com um comunicado divulgado no domingo (25), a transação estudada pela LMDV Capital, empresa de Leonardo Maria, prevê o fechamento de capital da Società Editoriale Il Fatto SpA pelo valor de 0,286 euro (R$ 1,75) por ação. A iniciativa provocou a maior valorização nos papéis da companhia desde 2019, mesmo diante da negativa dos acionistas fundadores em negociar suas fatias.
Conhecido por seu jornalismo contundente, o Il Fatto vem publicando reportagens críticas sobre Del Vecchio, suas dívidas e decisões financeiras, em meio a acusações mútuas entre repórteres e o bilionário de 31 anos, divulgadas publicamente nas redes sociais.
O herdeiro da EssilorLuxottica afirmou que pretende preservar a reputação de independência e jornalismo investigativo do jornal e que se concentraria apenas em reverter os prejuízos da empresa.
“O Il Fatto escreveu extensamente sobre nós, inclusive de forma crítica”, disse. “É exatamente esse tipo de jornalismo que queremos proteger. Não estamos pedindo a ninguém que mude de opinião a nosso respeito. Estamos apenas pedindo que as pessoas considerem um projeto que garantiria o futuro do jornal”, disse.
Em contrapartida, o veículo noticiou que um bloco de acionistas fundadores, detentores da maioria societária, rejeita a ideia de negociar suas fatias ou aceitar qualquer proposta pública de compra originada pela LMDV Capital.
O avanço nas negociações fez os papéis do Il Fatto registrarem alta de até 23%, alcançando 0,27 euro — patamar recorde desde julho —, o que elevou a capitalização de mercado da companhia para 6,75 milhões de euros.
Atualmente, o conselho da LMDV Capital conduz uma auditoria prévia no periódico. O avanço da investida fica condicionado a parâmetros específicos, como a aquisição mínima de 82,9% das ações com direito a voto, conforme detalhado no comunicado.
Leonardo Maria integra o grupo de oito beneficiários da herança deixada por seu pai, Leonardo Del Vecchio, criador do conglomerado de óculos EssilorLuxottica, falecido em 2022. No mês de agosto, ele oficializou seu desligamento da presidência da Ray-Ban e do cargo de diretor de estratégia do grupo, dono de marcas como Oakley, Persol e Oliver Peoples, além de gerenciar acordos de licenciamento com grifes do porte de Giorgio Armani, Chanel e Burberry.
Recentemente, o executivo direcionou recursos para os mercados editorial e de imprensa, com participações no Gruppo Editoriale Nazionale, responsável pela publicação do QN (Quotidiano Nazionale) e de outros jornais.
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