O Ibovespa perdeu o fôlego inicial e passou a oscilar nesta quarta-feira, refletindo a cautela dos investidores diante da nova rodada de pesquisas eleitorais para o segundo turno da corrida presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enquanto o mercado de ações busca direção, o dólar comercial opera em alta, cotado a R$ 5,02, e os juros futuros registram recuo ao longo da curva. A atenção dos investidores também se volta para o cenário fiscal e para o início da temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre.
Proposta de emenda e novos investimentos
Durante solenidade no Palácio do Planalto realizada a quatro dias do segundo turno eleitoral, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que Proposta de Emenda Constitucional encaminhada pelo governo ao Congresso nesta quarta-feira prevê a destinação de cerca de R$12 bilhões em 2027 ao custeio da tarifa zero para o transporte municipal nos fins de semana e feriados.
Em sua fala, Moretti destacou que a iniciativa será fiscalmente neutra. A previsão é que no mínimo 26,8% do montante global das emendas parlamentares impositivas sejam destinados a custear a tarifa zero, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Repercussão no mercado de juros
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, diz que o comportamento do mercado de juros nesta quarta-feira chama atenção. “Enquanto a pesquisa Quaest mostra uma disputa presidencial extremamente equilibrada, com Flávio Bolsonaro registrando 45% das intenções de voto e Lula, 44%, os juros futuros de longo prazo continuam caindo. Em princípio, uma eleição tão indefinida deveria manter elevados os prêmios de risco, especialmente diante das incertezas fiscais. Mas o mercado não reage apenas às notícias. Reage principalmente à diferença entre aquilo que acontece e o que já estava incorporado aos preços. Uma eleição apertada pode simplesmente estar dentro das expectativas dos investidores”, explica.
O especialista acrescenta ainda: “Além disso, a queda dos juros americanos favorece o fechamento da curva brasileira. Há também um componente importante de fluxo financeiro e redução de posições defensivas, que pode intensificar o movimento. A expectativa de novos cortes da Selic contribui para esse ambiente, mas a queda mais acentuada dos juros longos sugere principalmente uma compressão dos prêmios de risco, possivelmente associada à expectativa de uma condução fiscal mais favorável após as eleições. O ponto de atenção é que o mercado já antecipou uma parcela relevante desse cenário positivo, enquanto os problemas estruturais das contas públicas continuam sem solução. A trajetória da dívida, o crescimento das despesas obrigatórias e a necessidade de resultados primários consistentes permanecem como desafios, independentemente do vencedor”.
Para finalizar, Murad resume que “a confirmação das expectativas pode sustentar o fechamento da curva, enquanto uma surpresa eleitoral ou fiscal poderá provocar uma reabertura significativa das taxas. O mercado está comprando expectativas antes de conhecer as medidas econômicas concretas. O fechamento dos juros pode continuar, mas sua sustentabilidade dependerá menos do resultado eleitoral isoladamente e muito mais da capacidade do próximo governo de entregar credibilidade e responsabilidade fiscal”.
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