As forças militares de Israel anunciaram nesta segunda-feira (2) a conclusão de sua operação e a retirada total dos soldados de Hebron, cidade situada na Cisjordânia ocupada, pondo fim a um cerco que durou dez dias. A informação foi confirmada por um comandante militar.
A ofensiva teve início na sequência de um ataque executado quase duas semanas antes, que resultou na morte de dois militares israelenses pouco antes das eleições legislativas de 27 de outubro. Como consequência direta da ação, mais de 3.000 palestinos, pertencentes a cerca de 500 famílias, precisaram deixar suas residências às pressas.
Durante a incursão na região, o comando militar informou que as tropas apreenderam quatro armamentos e diversos coletes balísticos.
O impacto da operação Moradores que retornavam aos seus lares relataram o cenário encontrado. O comerciante Muhanad al Tamimi, 33, disse que encontrou a residência completamente revirada, com móveis e roupas espalhados pelo chão e os colchões fora das camas.
Ele afirmou que o imóvel foi usado como base pelos soldados israelenses, prática habitual durante operações que duram vários dias. Em seu prédio, assim como em outros do bairro evacuado, uma cruz pintada na fachada indicava que as forças israelenses entraram e revistaram o local.
Como parte do protocolo adotado pelas forças do país em situações do tipo, as moradias dos dois homens apontados como autores do atentado inicial foram demolidas.
Repercussão internacional e cenário político A ofensiva recebeu duras críticas de lideranças globais. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestaram forte preocupação com a possibilidade de uma “limpeza étnica” no território cisjordaniano. “Estamos assistindo a um ambiente cada vez mais coercitivo, com o espectro de uma limpeza étnica cada vez mais presente. Isso precisa acabar”, declarou Guterres.
Na mesma linha, o rei Abdullah 2º, da Jordânia, declarou durante a abertura do Parlamento que a paz na região é inalcançável sem a garantia da autodeterminação palestina. “Reiteramos, repetidamente, que não pode haver segurança ou estabilidade em nossa região sem o respeito ao direito do povo palestino à sua pátria”, disse na abertura do Parlamento. O monarca reforçou ainda as críticas às ações na região: “Apesar dos apelos internacionais para que Israel ponha fim às suas violações, a catástrofe humanitária em Gaza continua, assim como os ataques incessantes na Cisjordânia e em Jerusalém, enquanto as ambições expansionistas de Israel permanecem a maior ameaça ao futuro e às esperanças da região”.
A desmobilização das tropas ocorre logo após o pleito legislativo israelense. A legenda do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu conquistou 53 assentos, tornando-se a maior bancada, mas ficou sem a maioria absoluta no Parlamento de 120 cadeiras. Oposição e partidos árabes negociam cenários políticos enquanto o Irã mantém ameaças de retaliação em meio a tensões generalizadas.
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