A Kitchens, tradicional fabricante de móveis planejados fundada em 1964, entrou com pedido de recuperação judicial nesta quinta-feira (29), reportou o veículo Migalhas, especializado em temas jurídicos. A medida ocorre após a marca acumular dezenas de processos judiciais abertos por clientes solicitando rescisão contratual e indenizações por danos materiais e morais.
A solicitação foi apresentada pelas companhias Kitchens Indústria e Comércio Ltda., Kitchens Decorações Planejamento de Interiores e Comércio Ltda., Kitchens Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda. e 6S Serviços e Participações Ltda.
Crise financeira e fechamento de unidades
Constituída em 1964, a Kitchens consolidou-se como referência no segmento de móveis planejados de alto padrão, porém atravessava um momento crítico que culminou também no encerramento das atividades de lojas físicas. O showroom situado em Fortaleza, por exemplo, teve de fechar as portas em decorrência de uma ação de despejo motivada por inadimplência no pagamento do aluguel. O Poder Judiciário havia ordenado o despejo em 20 de agosto, contudo o espaço acabou desocupado voluntariamente.
Conforme dados do Diário do Nordeste, a proprietária do ponto comercial estimou um débito superior a R$ 104 mil, somando os honorários advocatícios. Naquela ocasião, a Kitchens comunicou que o encerramento abrangeria tão somente o espaço físico na capital cearense, assegurando que a prestação de serviços continuaria. Em comunicado oficial, a corporação declarou que atravessa um dos períodos mais delicados de sua história empresarial e cita o ambiente econômico extraordinariamente adverso para as empresas.
Pouco antes de encerrar as atividades em Fortaleza, uma consumidora havia ingressado com uma ação por danos morais contra as empresas do grupo Kitchens devido ao atraso na entrega e na instalação de móveis planejados referentes a um projeto orçado em aproximadamente R$ 600 mil. Na capital federal, uma filial da rede também foi localizada com as portas fechadas.
Questionada, a companhia declarou que atravessa desafios operacionais, contratou assessoria para uma reestruturação e está “buscando alternativas de captação de recursos e geração de liquidez para fortalecer seu fluxo financeiro”.
Além da Kitchens, outras empresas do setor moveleiro enfrentam dificuldades, como a Toky (TOKY3), dona da Tok&Stok e da Mobly e a Marabraz.
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