Mais de 300 extensões do Chrome sequestram buscas dos usuários; veja se você foi afetado

Mais de 300 extensões do Chrome desviam buscas e preocupam usuários

Tecnologia

Mais de 300 extensões do Google Chrome foram descobertas interceptando as pesquisas dos usuários antes que elas cheguem efetivamente ao buscador. Mapeadas pela empresa de segurança cibernética Socket, essas ferramentas fazem com que as consultas passem primeiramente por servidores controlados pelos próprios criadores dos complementos. Na sequência, o tráfego é encaminhado para o Bing ou para o Yahoo, tudo isso de forma oculta para o internauta. Ao longo de uma década, esse ecossistema malicioso acumulou aproximadamente 13,4 milhões de instalações.

A estratégia utilizada explora uma funcionalidade nativa do Chrome que permite às extensões alterar o buscador padrão sem a necessidade de executar códigos adicionais. Durante uma investigação, o pesquisador John Tuckner localizou um complemento composto apenas por um arquivo de configurações e três ícones, o qual sequer pedia permissões do sistema no momento da instalação.

Um experimento conduzido com a ferramenta Predator Search revelou que seis buscas idênticas foram direcionadas para quatro destinos distintos. Como o desvio acontece antes de a consulta atingir o Bing ou o Yahoo, os operadores conseguem gerenciar o tráfego e faturar comissões por indicação aos mecanismos de busca.

No momento em que o relatório veio a público, boa parte dos mais de 300 complementos já tinha sido banida da loja oficial do Chrome, embora novas variantes continuassem surgindo. Vale destacar que a proliferação acontece majoritariamente fora da Chrome Web Store, impulsionada por pop-ups que aparecem em portais de menor porte.

Para convencer os usuários a realizarem o download, os complementos se disfarçam de utilitários práticos, tais como conversores de PDF, localizadores de manuais, serviços de busca segura e até mesmo assistentes de pesquisa integrados com inteligência artificial (IA).

Riscos à privacidade e segurança

O redirecionamento das buscas também acende um alerta vermelho para a segurança digital. Visto que as pesquisas trafegam primeiro pelos servidores dos cibercriminosos, os responsáveis conseguem monitorar o histórico de consultas e vinculá-lo a identificadores únicos. Além disso, a estrutura por trás do golpe pode ser empregada para empurrar os internautas a páginas de phishing ou incentivar o download de arquivos maliciosos.

Como saber se o seu Chrome foi afetado?

A simples instalação de uma extensão mal-intencionada nem sempre deixa pistas evidentes de que o mecanismo de busca foi alterado. Mesmo com os alertas padrão do navegador, o desvio pode ocorrer silenciosamente durante a rotina de navegação.

Para checar se há algum item indesejado no seu software, adote as seguintes medidas:

– Revise as extensões instaladas: digite chrome://extensions na barra de endereços do Chrome e confira a lista de complementos. Remova ferramentas desconhecidas que não foram instalados por iniciativa própria;

– Confira o mecanismo de busca: acesse “Configurações” > “Mecanismo de pesquisa” e verifique se o buscador padrão corresponde à sua preferência. Caso encontre uma opção desconhecida, selecione o serviço desejado.

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