O Mazda CX-6e, utilitário esportivo elétrico fabricado na China, trouxe um recurso inusitado que vem chamando a atenção no trânsito internacional. Projetado para compensar o silêncio dos motores elétricos, o alto-falante dianteiro do modelo não serve apenas para alertar ciclistas e pedestres desatentos: ele também permite que o condutor fale ao vivo ou digite frases personalizadas — incluindo ofensas pesadas — sem nenhum tipo de censura prévia.
Como funciona o sistema de som externo
Lançado globalmente em janeiro de 2026 como parte da interface homem-máquina da marca, o sistema chamado de External Announcement tem como foco original a segurança. A função convencional traz avisos pré-gravados com vozes digitalizadas para alertar quem cruza a frente do automóvel.
A polêmica reside na customização. Por meio da enorme tela multimídia de 26,45 polegadas do veículo, o motorista tem a opção de digitar qualquer texto e armazená-lo em atalhos para reprodução posterior. Além dessa função de texto para fala, o alto-falante opera como um megafone ao vivo, transmitindo a voz do próprio condutor diretamente para fora do para-choque.
Essa abordagem difere dos avisos sonoros convencionais adotados pela indústria automotiva em modelos elétricos e híbridos nos Estados Unidos, que emitem apenas ruídos padronizados e homologados pelas autoridades de trânsito para alertar sobre aproximação em baixas velocidades.
Falta de moderação e problemas legais
Testes realizados na Austrália demonstraram que não existem bloqueios ou barreiras funcionais no software para filtrar o vocabulário digitado. Expressões vulgares e palavrões são sintetizados e propagados sem intervenção, o mesmo ocorrendo quando o condutor decide utilizar o microfone em tempo real.
Essa liberdade pode custar caro aos motoristas. Em regiões australianas como Queensland e Nova Gales do Sul, o código rodoviário impõe regras rígidas sobre o uso de buzinas e emissores sonoros, além de tipificar o uso de linguagem ofensiva em vias públicas.
Na Austrália Ocidental, a legislação de ordem pública e de tráfego prevê sanções pesadas: a penalidade máxima para o uso inadequado ou ofensivo de alto-falantes veiculares atinge 6.000 dólares australianos (cerca de 4.170 dólares norte-americanos).
Disponibilidade no mercado e resposta da fabricante
Comercializado em praças como Austrália e Europa, mas indisponível no mercado norte-americano até outubro de 2026, o utilitário segue sem atualizações que criem travas de segurança contra abusos verbais. Até o momento, a montadora japonesa apresenta o equipamento apenas em caráter descritivo em seus manuais, promovendo-o como um item focado em conectividade e segurança viária.
Diante da ausência de moderação nativa na tecnologia, o bom senso de quem senta ao volante continua sendo o único filtro contra discussões e infrações nas ruas.
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