Mil euros para abater um carro antigo? ACAP considera que não chega

Governo oferece mil euros para abate de carros, mas valor gera críticas

Automóveis

O governo anunciou recentemente um novo programa de incentivos voltado para famílias carenciadas na aquisição de carros elétricos de até 15 mil euros, incluindo uma majoração de 1000 euros para quem entregar um automóvel com motor de combustão para abate. Embora a medida tenha sido bem recebida pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), especialmente por eliminar a obrigatoriedade do abate para receber o incentivo principal, o montante estipulado está longe de convencer o setor.

Em declarações, Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, argumentou que o Executivo deveria conceder uma majoração mais elevada para motivar de fato os motoristas a se livrarem de seus veículos mais velhos.

Incentivos do passado e novos rumos Ao avaliar a quantia divulgada, Helder Pedro relembrou que o país já contou com iniciativas de incentivo ao abate com repasses financeiros mais generosos no passado.

“Em 2009 já tivemos um programa de incentivo ao abate no valor de 1250 euros”, afirmou, defendendo que, 17 anos depois, “o valor podia ser realmente superior” sob pena das pessoas não verem apelo suficiente na entrega de veículos mais antigos.

Apesar das críticas ao montante, a associação avalia como acertada a escolha de desvincular o auxílio para a compra de um elétrico da exigência de dar baixa em um automóvel antigo. Para a entidade, essa deve permanecer como uma escolha opcional dos compradores, desde que venha acompanhada de uma compensação financeira atrativa o bastante para impulsionar a modernização da frota nacional.

Ampliação do programa e inclusão de seminovos Contudo, o valor do bônus por abate não é o único ponto de discordância da ACAP em relação às novas diretrizes governamentais. A organização avalia que os subsídios continuam restritos a um grupo muito reduzido de contemplados e defende a criação de uma iniciativa mais ampla, capaz de financiar a troca de uma quantidade expressiva de automóveis defasados.

A associação aponta que, sem uma expansão no alcance, os subsídios terão pouca efetividade prática na renovação da frota circulante: “É positivo que haja. Mas são meros paliativos”, confessou Helder Pedro.

Além disso, a entidade defende a ampliação da lista de modelos aptos a receber os benefícios, sugerindo que o programa contemple ao menos os automóveis elétricos de serviço ou demonstração que já se encontram nos pátios dos lojistas.

“Poderia ser aplicado aos próprios veículos de demonstração elétricos, que existem nos concessionários, por exemplo. É uma opção também válida”, afirmou o secretário-geral da ACAP.

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