O Citi atualizou a recomendação dos papéis da Motiva (MOTV3) de neutro para compra. A elevação se dá em meio a forte onda de venda das ações após o resultado das eleições presidenciais e considera, também, o balanço marginalmente positivo do terceiro trimestre de 2026 da companhia.
Junto com a atualização, o banco alterou o preço-alvo de R$ 20,40 para R$ 17,40. A redução, de acordo com os analistas, se dá em resposta ao impacto das taxas de juros mais elevadas sobre os resultados da empresa e sobre seu custo de capital.
Ainda que as taxas de juros mais elevadas justifiquem uma redução do múltiplo de avaliação da empresa em relação à avalição anterior às eleições, o Citi destaca que a queda de 28% das ações parece uma reação exagerada do mercado. Segundo a instituição, a combinação de fundamentos mais fortes e uma queda recente das ações voltou a tornar a relação risco-retorno atrativa.
Com isso, segundo os analistas, essa parece ser uma boa oportunidade de comprar uma empresa de alta qualidade, com chances sólidas de alocação de capital. Para o banco, a Motiva contina apresentando melhora nos indicadores de eficiência de custos. Além disso, o volume de investimentos futuros ainda pendentes parece estar sob controle, mesmo com o menor nível de investimentos neste trimestre. A alavancagem também melhorou, diminuindo conforme esperado, com a venda da divisão de aeroportos.
A avaliação do Citi indica uma taxa interna de retorno real (TIR real) de 11,5%. Em relação às taxas reais dos títulos soberanos, o valor representa uma alta de 3,4 pontos percentuais.
Desempenho no trimestre
O lucro líquido ajustado pro forma foi de R$ 750 milhões no 3º tri, superando as estimativas de consenso da Bloomberg de R$ 678 milhões. O indicador cresceu 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para a XP, o balanço do trimestre foi positivo, com desempenho sólido em Rodovias com Pedágio, que cresceu 12% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na tradução da sigla) de um ano para o outro. Por outro lado, o segmento de Mobilidade Urbana foi mais fraco, recuando 1% do Ebitda ao ano.
De maneira geral, o tráfego total nas rodovias com pedágio cresceu 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o tráfego comparável avançou 2%. Segundo o Goldman Sachs, esse desempenho ocorreu em meio à recente expansão das operações das concessões Fernão Dias, Sorocabana e Paraná, parcialmente compensada pelo término do contrato da ViaOeste.
O Ebitda ajustado foi de R$ 2.581 milhões, crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com o consenso da Bloomberg. As margens do trimestre ficaram abaixo das expectativas do Citi, em maior parte, devido aos custos mais elevados no nível de despesas gerais e administrativas (G&A, na sigla em inglês).
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