A Nasa apresentou detalhes do conceito de operações para o voo de teste do módulo lunar da missão Artemis 3 durante uma coletiva de imprensa realizada em 23 de outubro no Centro Espacial Kennedy, destacando a importância e a complexidade da missão para seus planos lunares.
“We’re launching three of the most powerful rockets in the world, and undertaking what is likely the most complicated launch campaign ever undertaken”, afirmou Jeremy Parsons, gerente do programa Artemis da Nasa, durante o evento que durou mais de duas horas.
Os três foguetes mencionados são o Space Launch System (SLS) da Nasa, o Starship da SpaceX e o New Glenn da Blue Origin, todos com lançamento previsto na Costa Espacial da Flórida.
Conforme o planejamento, o New Glenn decolará primeiro, transportando o módulo lunar Blue Moon da Blue Origin para a órbita terrestre baixa (LEO). Em seguida, o SLS será lançado, levando os astronautas da Artemis 3 — Randy Bresnik, Andre Douglas e Frank Rubio, da Nasa, e Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia — a bordo da espaçonave Orion.
O SLS colocará a Orion em uma órbita altamente elíptica, chegando a 18 milhas (29 quilômetros) de proximidade da Terra e a 1.122 milhas (1.806 km) de distância, segundo Parsons. A cápsula se manobrará então para uma órbita com altitude de cerca de 345 milhas (555 km).
“That’s really about getting thermal stability”, disse Parsons. “Orion was built as a deep-space vehicle, and so we’re having to really manage the thermal environments, which are higher in a low Earth orbit.”
A tripulação da Artemis 3 passará dois dias verificando a Orion e seus sistemas em LEO antes de se encontrar com o Blue Moon, o que ocorrerá no terceiro dia de voo a uma altitude de 273 milhas (439 km).
“Over the next two days, the crew will conduct operations docked with Blue Moon”, declarou Parsons. “They’re going to open up the hatch. They’re going to enter the lander. They’re going to evaluate the environmental controls, the life support systems. We’ll confirm that the spacecraft can maintain the right atmospheric pressure, and we’re also going to test emergency scenarios, dual vehicle control, and we’re going to put our Mission Control teams through their paces.”
Após essas operações — por volta do sexto dia de voo —, o Starship será lançado com um adaptador de acoplagem construído especificamente em sua ponta.
O veículo da SpaceX, estágio superior de 171 pés (52 metros) do seu megassoguete reutilizável Starship, se encontrará com a Orion em LEO no oitavo dia de voo, a uma altitude de cerca de 237 milhas (381 km). No entanto, este encontro será bastante diferente daquele com o Blue Moon.
“The demonstration with Starship is shorter, about two hours”, explicou Parsons. “The crew will not enter the Starship during the mission, but it gives us critical data and allows us to really understand the forces of docking, how we’re going to push, how we’re going to work together.”
A missão Artemis 3 continuará por mais seis a nove dias após a Orion se desacoplar do Starship, antes de retornar à Terra para um pouso na água auxiliado por paraquedas. A duração nominal da missão é de 14 dias, segundo Parsons, podendo chegar a 17 dias. Nesse período, a tripulação avaliará seus trajes de sobrevivência — algo que não foi feito durante o voo de 10 dias da Artemis 2 ao redor da Lua em abril passado — e realizará diversas outras tarefas, desde avaliações detalhadas de saúde até experimentos científicos e demonstrações de tecnologia.
O objetivo principal é manter tudo no caminho certo para a Artemis 4, que levará astronautas para pousar perto do polo sul da Lua em 2028, caso tudo ocorra conforme o planejado.
“Everything we do on Artemis III is designed to reduce risk for our future lunar landing missions”, afirmou Parsons. “We’re teaching these teams how to work together, how to make critical real-time mission decisions, all in an environment that is low Earth orbit, where if something goes wrong, we can come home much more quickly.”
Ainda não está claro no momento qual desses dois módulos lunares desenvolvidos pela iniciativa privada — Blue Moon ou Starship — voará na Artemis 4, realizando o primeiro pouso lunar tripulado desde a Apollo 17 em 1972. A Nasa mantém a opcionalidade para “dar a ambos os nossos parceiros de pouso lunar a maior oportunidade de prontidão antes do pouso de astronautas na Lua em 2028”, disse o administrador da Nasa, Jared Isaacman, durante o evento.
“We have no intention of surrendering a viable path to the surface before the data and schedule compels us to do so”, acrescentou.
Independentemente da decisão da Nasa para a Artemis 4, tanto o Blue Moon quanto o Starship devem pousar no solo lunar cinzento relativamente em breve, de acordo com Parsons. “Regardless of who goes first, both providers are planning for lunar landing missions in 2028”, disse ele.
Essas missões serão bastante diferentes entre si. Por exemplo, nos pousos da Blue Origin, a Orion se encontrará com o Blue Moon em órbita lunar. Já nos pousos da SpaceX, o Starship provavelmente se acoplará à cápsula da Nasa na órbita terrestre e a impulsionará em direção à Lua, descreveu Parsons ao citar o conceito de empuxo.
Ainda não se sabe com exatidão quando a Artemis 3 será lançada. A Nasa tem como alvo o verão do próximo ano, mas pode encontrar dificuldades para cumprir esse cronograma: no mês passado, em um memorando interno, Isaacman informou aos funcionários da agência que a Artemis 3 estava cerca de 90 dias atrasada.
Alguns dos maiores desafios envolveram a cadeia de suprimentos para os módulos lunares da missão, apontou Parsons durante o evento. Contudo, tanto ele quanto Isaacman enfatizaram que a Nasa está confiante em sua capacidade de superar tais obstáculos.
“We’re moving with real speed and purpose right now”, concluiu Isaacman.
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