Novo T-Roc híbrido convence mas tem um grande problema em Portugal

Novo Volkswagen T-Roc híbrido convence ao volante, mas sofre com o preço em Portugal

Automóveis

O Volkswagen T-Roc ganha uma nova e inédita motorização híbrida não plug-in, somando méritos na condução e na eficiência, mas esbarrando num grande obstáculo fiscal no mercado português. Com comercialização prevista para novembro de 2026, a versão eletrificada chega para reforçar o enorme sucesso comercial do SUV compacto, que já ultrapassou a marca de dois milhões de unidades vendidas desde o lançamento da primeira geração em 2017, na fábrica de Palmela, em Portugal.

A tecnologia híbrida que agora se estreia na Volkswagen — mas que já é utilizada há décadas por marcas como a Toyota ou a Honda — não precisa de ligar à tomada para carregar. O sistema promete consumos reduzidos e permite percorrer distâncias muito limitadas em modo de propulsão unicamente elétrico, com o motor de quatro cilindros 1,5 litros a gasolina desligado.

Três motores e foco na eficiência

No primeiro contacto dinâmico com o modelo, foi testada a versão híbrida de 170 cv, a mais potente, existindo ainda uma opção de 136 cv. Ambas combinam um motor a gasolina de 1,5 litros, dois motores elétricos (um atua como gerador e o outro para propulsão) e uma bateria com capacidade bruta de 1,6 kWh, mais do dobro da capacidade da bateria do sistema mild hybrid do eTSI.

Dependendo das condições de condução, o sistema opera de diferentes formas: no modo elétrico, utilizado sobretudo a baixa velocidade, circula-se sem recorrer ao motor de combustão; no funcionamento em série, o motor a gasolina funciona desacoplado das rodas, servindo apenas para gerar eletricidade e destacando-se pelo pouco ruído produzido; já no funcionamento em paralelo, a partir dos 60 km/h, o propulsor a gasolina assume o papel principal, auxiliado pelo motor elétrico nas acelerações mais fortes. Estão ainda disponíveis três modos de condução: Eco, Comfort e Sport. No modo Eco, a potência é reduzida para 70% do total.

Suavidade mecânica e comportamento dinâmico

A principal diferença na condução resulta do protagonismo dado à propulsão elétrica. Com uma potência máxima de 125 kW (170 cv), o motor elétrico melhora a suavidade e a prontidão das retomas de velocidade. A tradicional caixa de velocidades deu lugar a uma transmissão automática de uma única velocidade, cujo seletor se encontra à direita da coluna de direção. O modelo pesa mais 115 kg que o eTSI e, apesar de mais potente, a velocidade máxima está limitada eletronicamente a 180 km/h para não esgotar a bateria demasiado depressa. Em contrapartida, a aceleração de 0 a 100 km/h baixa de 8,9s para 8,5s.

Nos testes realizados num trajeto misto no sul de França, o consumo médio fixou-se em 5,8 l/100 km ao longo de 154 km, uma marca considerada baixa para um SUV com 1,6 toneladas de peso.

Habitáculo, espaço e a fatura na bagageira

No interior, a eletrificação não roubou espaço aos passageiros dos bancos traseiros, mantendo uma boa habitabilidade para quem tem 1,80 m. Contudo, a bagageira sofreu um impacto direto: o T-Roc perde o vão subterrâneo para alojar os componentes do sistema híbrido, fazendo o volume descer de 475 litros para 340 litros.

O grande obstáculo: a fiscalidade em Portugal

O novo Volkswagen T-Roc Hybrid tem argumentos sólidos, mas esbarra num obstáculo difícil de contornar: o preço. Custa cerca de 3000 euros mais do que as versões eTSI com equipamento equivalente, com preços a começar nos 39 121 euros para a versão Life de 136 cv. O T-Roc Hybrid R-Line de 170 cv testado começa nos 47 515 euros. Ao contrário dos híbridos plug-in, a fiscalidade portuguesa não concede nenhum benefício aos híbridos que não precisam de ligar à tomada, exigindo mais de 100 mil quilómetros para recuperar o investimento inicial face ao eTSI.

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