O deputado federal André Janones (Rede-MG), figura de destaque na campanha que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desembarcou em Buenos Aires nesta segunda-feira (2) para uma série de compromissos políticos. Na capital argentina, o parlamentar reuniu-se com o ex-ministro da Economia Sergio Massa e tem encontro agendado para o final da tarde com a ex-presidente Cristina Kirchner. Ambos os nomes são cotados para disputar a Casa Rosada nas eleições do ano que vem.
Ao deixar o encontro de aproximadamente uma hora com o advogado no bairro Recoleta, o deputado mineiro conversou com a imprensa. “A gente veio falar um pouco sobre o exemplo do presidente Lula. Tentar levar um pouco dessas técnicas”, afirmou.
De acordo com nota oficial da assessoria do parlamentar, a viagem teve o propósito de “promover o intercâmbio de experiências, ampliar o diálogo entre lideranças políticas e fortalecer os valores democráticos e as relações entre Brasil e Argentina”.
A agenda de Janones na capital argentina se estende pelo menos até terça-feira (3), impulsionada pelo interesse da oposição local. Durante a tarde, o deputado Pablo Juliano, representante da União Cívica Radical, também tentou estabelecer contato com o brasileiro.
Estratégias do petista despertam interesse internacional
A vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no final de outubro transformou-se em referência para o campo progressista em várias nações, inclusive na Argentina, atualmente administrada pelo ultraliberal Javier Milei.
Como reflexo disso, diversos canais no WhatsApp associados à esquerda surgiram no país vizinho desde o pleito brasileiro, buscando replicar as táticas que possivelmente influenciaram a virada de votos no segundo turno.
Caso Sergio Massa dispute o pleito em outubro de 2027, a disputa configurará uma revanche. Líder do partido Frente Renovador, o advogado foi derrotado no segundo turno de 2023 pelo atual presidente, que obteve 55,7% dos votos.
Contudo, a relação de potenciais opositores na corrida contra Milei é extensa. Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, integra a lista de cotados, ao passo que Cristina Kirchner busca articular um movimento semelhante ao de Lula para manter sua base mobilizada e conquistar reabilitação política a partir da prisão domiciliar. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (2) ao jornal norte-americano The Washington Post, ela não descartou uma nova candidatura. “Quando eu recuperar os meus direitos políticos, por que não?”, declarou ao ser questionada pelo periódico.
Atualmente, a fragmentação da oposição tem beneficiado um mandatário que carece de alta popularidade. Segundo levantamento do jornal Clarín divulgado na semana passada, baseado em 11 pesquisas de opinião distintas, 57% dos argentinos reprovam a gestão de Milei, enquanto 57,2% avaliam a imagem do governante de maneira negativa.
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