Em 20 de outubro de 1970, a União Soviética deu início à jornada da espaçonave Zond 8 com destino à Lua, marcando oficialmente o encerramento do programa Zond.
Enquanto as três primeiras missões do programa exploraram Vênus e Marte, as seguintes consistiram em viagens circunlunares que sobrevoavam o satélite natural antes de retornarem à Terra. Embora estivesse desprovida de tripulação a bordo, a estrutura da espaçonave Zond foi projetada tendo os cosmonautas em mente.
Essas missões funcionaram como voos de teste para os planos soviéticos de enviar cosmonautas à Lua. Contudo, tais projetos nunca se concretizaram, em parte porque os Estados Unidos já haviam colocado astronautas no solo lunar, mas também devido à grande quantidade de problemas técnicos enfrentados pelas missões Zond.
A Zond 8 foi considerada um sucesso, apesar de seu sistema de navegação ter apresentado mau funcionamento durante a viagem de regresso à Terra. O veículo espacial retornou em segurança e amerissou no oceano Índico uma semana após o lançamento.
O contexto da corrida espacial
Enquanto as missões Zond 1 e Zond 2 foram lançadas em direção a Vênus e Marte, respectivamente, o alvo principal da maioria das iniciativas do programa era a Lua. Naquela época, a União Soviética travava uma intensa corrida espacial contra os Estados Unidos para ser a primeira a alcançar a Lua com uma tripulação humana.
Quando a Zond 8 decolou em 20 de outubro de 1970, a corrida espacial já havia sido perdida pelos soviéticos. A Nasa e os Estados Unidos já tinham pousado astronautas na Lua por duas vezes com as missões Apollo 11 e Apollo 12, em julho e novembro de 1969, respectivamente, e até realizaram o primeiro resgate espacial com os astronautas da Apollo 13 em abril de 1970.
Apesar de não ser tripulada, a Zond 8 serviu como um voo de teste da espaçonave L1 soviética, que havia sido concebida para transportar um cosmonauta ao redor da Lua. O veículo contornou o satélite em um sobrevoo lunar, aproximando-se a uma distância de 1.120 quilômetros da superfície da Lua em seu ponto mais próximo, de acordo com registros especializados.
As câmeras instaladas na Zond 8 registraram imagens impressionantes da Terra e da Lua, recriando as vistas icônicas do nascer da Terra capturadas pelos astronautas da Apollo 8 dois anos antes, em 1968.
O fim do programa e o futuro russo
A Zond 8 acabou amerissando no oceano Índico em 27 de outubro de 1970, após uma falha no sensor de atitude solar que a direcionou para uma trajetória de reentrada mais curta e íngreme durante a aterrissagem. O equipamento foi resgatado por um navio de recuperação, simbolizando o término do programa soviético de exploração lunar.
Posteriormente, a Rússia desenvolveu uma série de estações espaciais Salyut, culminando na duradoura estação espacial Mir. Após décadas sem enviar sondas à Lua, o país lançou um novo módulo de pouso lunar não tripulado em 2023. A missão Luna 25 fracassou e colidiu com a superfície lunar após uma falha no controlador do motor de bordo, e a nação prometeu retornar à Lua em 2027.
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