OpenAI alerta PF sobre ameaças de morte a Lula no ChatGPT e compartilha diálogos

OpenAI aciona PF sobre ameaças de morte contra Lula no ChatGPT

Política

A Polícia Federal recebeu um alerta formal da OpenAI a respeito de ao menos dois usuários do ChatGPT que manifestaram a intenção de cometer atentados contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante dos diálogos travados com a plataforma de inteligência artificial, a desenvolvedora do sistema apontou haver motivos razoáveis para suspeitar de uma “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave”, o que levou ao compartilhamento das informações com as autoridades.

Mensagens citavam fuzil de precisão e planejamento de tiros

Em um dos episódios mais detalhados, um homem afirmou ter visto o presidente a cerca de 400 metros de distância durante um ato político em setembro. Na interação, o indivíduo enviou a fotografia de uma torre que supostamente ofereceria um bom ângulo para um disparo e consultou a ferramenta sobre “o que acontece se eu matar o presidente” e “quantos anos eu pegaria [de pena]”.

Ao analisar o comportamento do usuário, a OpenAI destacou a seriedade do conteúdo repassado: “Embora o usuário tenha declarado que não agiria e que não possuía uma arma, expressou o desejo de usar um fuzil de precisão, perguntou o que aconteceria se matasse o presidente ou atirasse na cabeça dele, e fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta”.

Histórico de violência e apologia extremista

Os registros indicam que o mesmo indivíduo já utilizava o sistema desde janeiro para fazer referências violentas. O perfil havia enviado imagens de armas brancas, revelado o interesse em ferir familiares, compartilhado símbolos nazistas e afirmado que realizaria um massacre caso tivesse recursos financeiros. Ele também chegou a encaminhar a fórmula de um artefato explosivo e citar ataques direcionados a postos de saúde, oscilando entre negar planos concretos e alimentar delírios agressivos.

A conta foi cancelada pela OpenAI no início de outubro, momento em que os registros foram repassados aos investigadores federais. Segundo a big tech, a entrega do material ocorreu com o objetivo de “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”. A empresa também comunicou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “em linha com o plano de conformidade eleitoral”.

Ministério da Justiça analisa abertura de apurações

Com a remessa dos dados pela empresa de tecnologia, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, submeteu os documentos ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. O órgão deve decidir se autoriza a instauração de dois inquéritos distintos: um para averiguar os crimes de ameaça e injúria e outro focado na ameaça direcionada a Lula.

Cooperação com autoridades já levou a prisões

O monitoramento preventivo feito por ferramentas de inteligência artificial já gerou desdobramentos policiais recentes no Brasil. Em junho, uma comunicação internacional iniciada pela OpenAI e intermediada pelo FBI junto ao CyberLab resultou na prisão de um homem no Espírito Santo. Na ocasião, o investigado utilizava o chatbot para estruturar o assassinato do próprio filho de 8 anos a fim de evitar o pagamento de pensão alimentícia.

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