O petróleo Brent, referência global, fechou esta sexta-feira (30) no maior patamar de preço desde o início de maio. O movimento de alta reflete a reação do mercado financeiro a uma possível nova escalada nas tensões envolvendo o Irã, após o encerramento das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Durante a sessão, o contrato de petróleo para janeiro, que é o mais negociado do Brent, registrou avanço de 2,07% e terminou cotado a US$ 113,10 — o maior valor desde o dia 1º de maio. O encerramento das negociações no mês de outubro também sacramentou uma valorização mensal de 14,32%, marcando o melhor desempenho desde julho.
No caso dos Estados Unidos, o contrato de dezembro do WTI (West Texas Intermediate) terminou o dia com ganho de 0,93%, cotado a US$ 102,95, acumulando uma alta mensal de 13,86%.
“Os operadores continuarão focados nos fluxos de petróleo do Oriente Médio e na provável escalada por parte dos Estados Unidos e das forças aliadas”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.
Ataques e segurança no Oriente Médio
O receio do mercado foi intensificado por um ataque a um petroleiro no estreito de Hormuz nesta sexta-feira. A investida ocorreu por meio de dispositivos explosivos acoplados por uma embarcação de pequeno porte, conforme dados divulgados pelo UKMTO, o serviço britânico de segurança marítima.
A autoria ou ordem do ataque não foi esclarecida de imediato. Tratou-se do primeiro caso bem-sucedido conhecido na via navegável utilizando minas-ventosa — artefatos explosivos fixados no casco de embarcações por meio de barcos menores — desde o início do conflito entre EUA-Israel e o Irã, em fevereiro, de acordo com informações de fontes do setor.
Nesse cenário de instabilidade, os EUA determinaram que funcionários públicos não essenciais e seus familiares deixassem a Arábia Saudita a partir de 23 de outubro, motivados por alertas de segurança. O aviso foi emitido pela embaixada norte-americana em Riad nesta sexta, citando atentados houthis direcionados a aeroportos civis e outras instalações de infraestrutura crítica.
Os rebeldes houthis, baseados no Iêmen e aliados do Irã, declararam na véspera que realizaram ofensivas contra múltiplos pontos na Arábia Saudita. Entre os alvos citados estavam a grande refinaria de petróleo de Ras Tanura, a refinaria de Rabigh e uma unidade produtiva em Abqaiq, pertencentes à estatal Saudi Aramco.
Em resposta, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado um míssil de cruzeiro que havia sido disparado pelos houthis na direção da porção oeste do território saudita.
Negociações e cenário político
Paralelamente aos confrontos, mediadores do Qatar retornaram a Teerã nesta sexta-feira para dar continuidade aos esforços diplomáticos na tentativa de viabilizar um entendimento entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, segundo relatado à agência Reuters por uma fonte próxima às tratativas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quinta-feira (29) que o vice-presidente J.D. Vance manteve contato com o Irã para auxiliar o país a obter suprimentos médicos. A manifestação ocorreu após a imprensa norte-americana veicular que Vance enviou uma carta ao principal dirigente de segurança de Teerã com o objetivo de retomar as conversas de paz.
Apesar disso, o governo iraniano recebeu a mensagem, mas ainda não apresentou uma resposta oficial, informou a agência de notícias semioficial Tasnim. O veículo acrescentou que Teerã exige que os EUA cumpram suas exigências e ressaltou que “qualquer posição que contradiga esse quadro é inaceitável”.
Para as próximas semanas, análises de mercado apontam que as cotações do petróleo deverão enfrentar um cenário de volatilidade acentuada, influenciadas pelas recentes eleições realizadas em Israel e pelo pleito de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrido em 3 de novembro, conforme apontou um relatório elaborado pelo Saxo Bank.
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