Por que cachorros comem o próprio vômito?

Por que os cães comem o próprio vômito?

Curiosidades

Embora pareça uma cena bastante desagradável para os tutores, a atitude de um cachorro ingerir o próprio vômito é um comportamento relativamente comum no universo pet e, na maioria das vezes, não representa um problema de saúde, assim como outros hábitos caninos exóticos a exemplo de comer fezes e rolar na lama.

Existem diversas razões pelas quais os cães acabam adotando essa conduta. A evolução da espécie é uma delas: o material regurgitado libera um odor capaz de atrair predadores e de indicar um momento de fragilidade. Ao consumi-lo novamente, o animal elimina os rastros e consegue se camuflar melhor na natureza. Essa hipótese é considerada pelos cientistas, mas ainda não tem comprovação científica definitiva.

Outro fator é o costume adquirido na infância. Quando o filhote inicia o desmame e faz a transição para a dieta de comidas sólidas, é possível que a mãe regurgite alimentos para que ele coma. Desse modo, ela simplifica a alimentação do filhote, pois já “quebra” parte da comida. Um cão que passa por essa experiência na infância pode reter o hábito na fase adulta.

A defesa de recursos também explica o ato. Alguns pets demonstram um comportamento agressivo em relação à comida por medo ou receio de que alguém venha a roubá-la. Trata-se de outra característica evolutiva, já que a proteção de recursos, no ambiente natural, é fundamental para a sobrevivência. Nesse contexto, o vômito também pode ser interpretado pelo cão como um alimento que precisa ser protegido, gerando a ingestão.

Por fim, para eles, ainda é comida. No universo dos cães, o olfato é o sentido mais importante. Enquanto para os humanos uma refeição vomitada exala um odor desagradável, os cachorros identificam ali o cheiro da comida original e interpretam aquele conteúdo como algo que ainda pode ser consumido. Eles não enxergam o vômito como um dejeto, mas sim como uma oportunidade de obter mais alimento.

Diferença entre vômito e regurgitação

Compreender o cenário exige diferenciar o vômito da regurgitação, pois são fenômenos distintos:

* Vômito: Está relacionado a contrações abdominais e apresenta material digerido e bílis (líquido amarelado). Não acontece necessariamente logo após uma refeição. É um ato involuntário e pode decorrer de infecções, úlceras e medicamentos, entre outros motivos. O cachorro se levanta e contrai o abdômen antes de vomitar, e pode apresentar sinais de apreensão. * Regurgitação: É material expelido do esôfago, antes de chegar ao estômago e intestino, e costuma acontecer logo após o cachorro comer algo, geralmente porque comeu rápido demais. Não tem relação com contrações abdominais: o cachorro só abaixa a cabeça e a meleca sai. Contém comida não digerida (misturada com muco), a qual pode ser atraente para o animal ingerir novamente. Muitas vezes, o que os humanos entendem por “vômito”, na verdade, é apenas regurgitação.

Enquanto ingerir regurgitação não representa um grande problema para o pet, comer vômito demanda maior atenção. O motivo é que o vômito costuma ser provocado pela ingestão de algo inadequado — se o animal volta a abocanhar o material, ele reingere a toxina ou o alimento impróprio que causou o problema inicialmente. Além do mais, o vômito possui um elevado nível de acidez, o que pode prejudicar o esmalte dos dentes e o revestimento do esôfago do cão.

Devo me preocupar?

No caso do vômito, o cachorro provavelmente vai colocá-lo para fora algumas vezes até eliminar totalmente aquilo que ingeriu e provocou o incômodo, cessando em seguida. É fundamental afastar do alcance do pet o alimento ou a substância que causou o mal-estar para evitar novos episódios.

O sinal de alerta deve ser acionado somente se o vômito se mantiver frequente, persistir por mais tempo que o habitual, apresentar sangue ou vier acompanhado de desidratação, apatia ou diarreia. Nestas situações, é necessário contatar o médico-veterinário.

No que se refere à regurgitação, o quadro costuma ser consequência de o animal comer com muita rapidez. Tratando-se de um comportamento recorrente, a solução exige diminuir a velocidade da alimentação.

Uma alternativa prática consiste em disponibilizar porções menores em maior quantidade de vezes — habitualmente, os cães desaceleram quando não encontram um volume grande de comida à sua frente. Também existem comedouros interativos projetados especificamente para retardar o consumo.

Caso você tenha mais de um cão, o ideal é alimentá-los em locais separados para eliminar a sensação de competição pelo alimento. A proximidade é capaz de provocar ansiedade, fazendo com que eles comam o mais rápido possível para impedir que o outro leve a melhor com a comida deles.

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