Rali Dakar é transferido para Portugal e Marrocos após ataques no Golfo

Rali Dakar é transferido para Portugal e Marrocos em 2027

Esportes

O Rali Dakar 2027, considerado o rali raid mais famoso do mundo, será disputado “excepcionalmente” em Portugal e no Marrocos no mês de janeiro, após ser forçado a deixar o deserto saudita. A alteração no itinerário, oficializada nesta sexta-feira (30) pela empresa organizadora, reflete os reflexos diretos dos conflitos no Oriente Médio sobre as grandes competições esportivas internacionais na região do Golfo.

“Diante dos recentes acontecimentos no Reino da Arábia Saudita”, com a intensificação dos ataques contra Riad por combatentes houthis do Iêmen apoiados pelo Irã, “a prova será transferida excepcionalmente, em 2027, para a Europa e a África, antes de retornar ao território saudita em 2028 para celebrar sua 50ª edição”, informou a ASO (Amaury Sport Organisation).

Novo roteiro e retorno à África

A disputa contará com um prólogo e 12 etapas, programadas para ocorrer entre 9 e 23 de janeiro, ligando as regiões de Loulé-Faro, em Portugal, e Marrakech, no Marrocos.

O Algarve, no sul de Portugal, “será o palco do prólogo e do primeiro trecho cronometrado”, afirmou o organizador. “O Marrocos, com a perspectiva de uma exploração completa, do norte ao extremo sul de seu território, receberá 11 etapas e um dia de descanso em Agadir”, acrescentou. Ao todo, os competidores deverão cumprir 7.824 km de percurso total, sendo 4.341 km reservados para trechos cronometrados.

Apesar de ser rotulada por seus defensores como “a mais dura do mundo”, a competição de veículos a motor também enfrenta fortes críticas vindas de organizações focadas em direitos humanos e preservação ambiental. Esta será a primeira vez desde 2007 que o rali raid retornará ao solo africano.

A prova precisou deixar a África após o cancelamento da edição de 2008 em decorrência de receios de atentados e ameaças jihadistas. Entre 2009 e 2019, o evento ocorreu na América do Sul, migrando posteriormente para a Arábia Saudita, onde realizou sete edições consecutivas a partir de 2020 até janeiro passado. A tradicional prova foi idealizada e estruturada originalmente em 1978 por Thierry Sabine, um assessor de imprensa francês apaixonado por aventuras e motocicletas, que acabou falecendo em 1986 em um acidente de helicóptero.

Um “Dakar de verdade” e impactos no esporte global

Para o diretor da prova, David Castera, este Dakar 2027 “seguirá os padrões esportivos que sempre fizeram dele a competição mais exigente do rali raid”.

A retomada das hostilidades entre os houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, e Riad —em particular os bombardeios contra o aeroporto da capital saudita em 10 de outubro, que deixaram 13 mortos— obrigou a ASO a buscar com urgência outro percurso, considerando uma largada na Espanha ou em Portugal e a passagem pelo Marrocos.

O conflito iniciado em fevereiro envolvendo o Irã de um lado, e Estados Unidos e Israel do outro, gerou repercussões em toda a região do Golfo, alterando o calendário de eventos voltados ao turismo e ao esporte. Entre os reflexos estão os cancelamentos ocorridos em abril dos Grandes Prêmios de Fórmula 1 em Jidá, na Arábia Saudita, e no Bahrein, além da suspensão da etapa final do WRC (Campeonato Mundial de Rali), que aconteceria em novembro no deserto saudita.

Por outro lado, os GPs de F1 no Qatar (27 a 29 de novembro) e em Abu Dhabi (4 a 6 de dezembro) seguem mantidos por enquanto, assim como o GP de MotoGP do Qatar (6 a 8 de novembro), embora lidem com crescentes pressões internas. No tênis, a situação afetou o Six Kings Slam, torneio exibição que reuniria grandes nomes do esporte na Arábia Saudita, como Carlos Alcaraz, Novak Djokovic e Alexander Zverev, o qual acabou sendo adiado.

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