A Lojas Renner decidiu cancelar suas projeções de crescimento de receita para 2026 e para o intervalo entre 2027 e 2030. A decisão, revelada em fato relevante na noite de quinta-feira (5), ocorre logo após a divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre e reflete o cenário de incertezas econômicas, a retratação no consumo interno e a concorrência acirrada com sites de e-commerce estrangeiros.
De acordo com o presidente da companhia, Fabio Faccio, a alteração no cenário macroeconômico diminuiu a previsibilidade para a expansão dos negócios. “A atual conjuntura macroeconômica e competitiva aumentou o grau de incerteza, reduzindo a previsibilidade do ritmo de crescimento da receita”, afirmou o executivo. Apesar disso, ele ressaltou que a medida não implica expectativa de perda de participação de mercado.
“Está mais difícil de afirmar qual será o nível de crescimento que teremos, mas temos, sim, uma expectativa de ganhos e de crescer mais que o mercado. Só não achamos prudente compartilhar essa expectativa agora”, declarou durante a teleconferência de resultados realizada nesta sexta-feira (6). A empresa informou que a decisão poderá ser revista caso ocorra a “normalização da visibilidade econômica”.
Desempenho financeiro e impacto no mercado
Controladora das redes Renner, YouCom e Camicado, a varejista registrou uma retração de 1,6% nas vendas líquidas entre julho e setembro, na comparação com o mesmo intervalo de 2025, totalizando R$ 3,03 bilhões — patamar abaixo das estimativas iniciais.
Por outro lado, o lucro líquido apresentou queda de 11,8% em relação a 2025, somando R$ 246,4 milhões, resultado que superou a média projetada pelo mercado, estimada em R$ 199 milhões conforme dados da LSEG. Já o Ebitda ajustado, indicador que mede a eficiência operacional sem efeitos atípicos, fechou em R$ 571 milhões, recuo de 3,9% ano a ano. Por volta das 10h50 da manhã, os papéis da companhia recuavam 0,62% na Bolsa brasileira, negociados a R$ 9,47.
Mudança no cenário econômico
Conforme explicou Faccio, o desempenho sofreu pressões da conjuntura macroeconômica que afeta o setor de vestuário. Além da disputa com plataformas internacionais, que ganharam força com o fim da “taxa das blusinhas” em maio, pesaram sobre as vendas a renda comprimida dos consumidores, a maior seletividade na compra de itens não essenciais e o impacto da Copa do Mundo em julho.
O executivo pontuou que as premissas estabelecidas no final de 2025 divergem drasticamente da realidade atual. “As projeções que tínhamos para o PIB [Produto Interno Bruto] para 2026 e 2027 foram reduzidas, as de inflação foram aumentadas, as de juros foram aumentadas e as de endividamento das famílias, que eram decrescentes, agora estão crescentes”, destacou.
“Olhando para frente, nesse pós-eleições, não temos uma definição sobre qual será o rumo das políticas fiscais e econômicas do país, que impactam o ambiente de consumo também. É muito cedo ainda para falar, então achamos mais prudente retirar as projeções de vendas, que são as mais afetadas por essas condições [macroeconômicas].”, completou.
Apesar da suspensão das metas de receita, a Lojas Renner manteve os demais objetivos estratégicos previstos até 2030, o que inclui a abertura planejada de 50 a 60 unidades comerciais ao longo de 2026.
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