A farmacêutica suíça Roche superou as expectativas de vendas do terceiro trimestre nesta quinta-feira, impulsionada pela demanda constante por medicamentos-chave, como o Ocrevus, enquanto busca reforçar seu pipeline por meio de acordos externos diante de iminentes expirações de patentes.
A receita do grupo cresceu 7% a taxas de câmbio constantes, atingindo 16,13 bilhões de francos suíços (US$ 19,61 bilhões), acima da previsão consensual compilada pela empresa, de 15,75 bilhões de francos (US$ 19,15 bilhões).
No entanto, o trimestre trouxe um sinal precoce de pressão competitiva. As vendas do medicamento Xolair ficaram abaixo das previsões do mercado após o lançamento do primeiro genérico mais barato, totalizando 848 milhões de francos (US$ 1,03 bilhão), ante expectativas de 925 milhões de francos (US$ 1,12 bilhão). As ações caíam 1,1% no pregão da manhã.
Com vários medicamentos de grande sucesso se aproximando do vencimento das patentes, a Roche aposta em seus principais produtos para sustentar o crescimento no curto prazo, ao mesmo tempo em que intensifica acordos externos para incorporar tratamentos de última geração. A empresa fechou um acordo avaliado em mais de US$ 15 bilhões com a chinesa Hansoh Pharma, segundo informação divulgada na segunda-feira.
Com foco no ecossistema de biotecnologia europeu, o presidente-executivo Thomas Schinecker afirmou nesta quinta-feira que cerca de 50% dos acordos de licenciamento firmados pelo grupo nos últimos quatro anos foram realizados nos Estados Unidos, enquanto os outros 50% foram fechados na China e em outros mercados da Ásia.
“Isso mostra um pouco a situação em que a Europa se encontra em termos de inovação”, disse Schinecker.
A administração também observou que o impacto negativo das reformas nos preços da saúde na China está diminuindo, apesar das quedas de dois dígitos no país. A divisão de diagnósticos, que cresceu 5% e registrou receita de 3,54 bilhões de francos, deve retornar a um crescimento considerado normal, na faixa de um dígito médio a alto, no próximo ano.
A Roche também se beneficiou da estabilização do dólar em relação ao franco suíço, reduzindo o impacto prolongado das variações cambiais no mercado norte-americano, responsável por quase metade da receita do grupo.
Os medicamentos mais vendidos impulsionaram a divisão farmacêutica, liderada pelo tratamento para esclerose múltipla Ocrevus, cuja receita avançou 9% em moedas constantes, para 1,84 bilhão de francos.
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