Autoridades reguladoras do setor financeiro nos Estados Unidos iniciaram consultas a bancos do país na sequência do roubo recorde sofrido pela Binance. O intuito da medida é mapear eventuais vulnerabilidades de cibersegurança após o mega-incidente envolvendo a corretora de criptoativos.
De acordo com informações da Reuters, supervisores do Sistema de Reserva Federal e de um órgão de fiscalização monetária subordinado ao Departamento do Tesouro americano começaram os diálogos voluntários com as instituições financeiras no início desta semana, obtendo diversas respostas até o momento.
As perguntas giravam em torno da identificação de “atividades suspeitas” ou falhas operacionais recentes por parte dessas entidades, embora nenhum ataque da mesma magnitude tenha sido reportado no território norte-americano desde então. Paralelamente, na França, um banco regional registrou um prejuízo de € 100 milhões (cerca de R$ 616 milhões na cotação atual) em decorrência de um ciberataque recente cujos detalhes completos seguem sob sigilo.
O impacto do hack e a reação do mercado
Uma fonte ouvida pela apuração relatou que uma instituição bancária elaborou um inventário de tópicos voltados para responder a eventuais questionamentos de clientes, embora o tema ainda não gere grandes pânicos na base de usuários.
Outro colaborador revelou que a equipe de cibersegurança de um banco diferente contatou a Binance “horas depois do ataque”. Diversas dessas equipes técnicas já estão investigando a invasão para elaborar diagnósticos próprios e fortalecer suas barreiras de defesa contra os métodos utilizados na ação criminosa.
O ataque cibernético contra a Binance ocorreu no dia 29 de outubro e resultou no furto de cerca de US$ 6,34 bilhões, configurando uma das maiores fraudes financeiras da história.
A empresa assegura que cobrirá integralmente os montantes subtraídos, além de já ter bloqueado parte dos criptoativos movimentados de forma ilícita e recuperado uma fração do saldo. Um coletivo de hackers associado ao governo da Coreia do Norte figura como o principal investigado pela ação, embora o país asiático negue veementemente o envolvimento.
A companhia já promoveu o restabelecimento gradual das retiradas de valores, chegando a contabilizar montantes de tráfego financeiro superiores aos observados em momentos anteriores.
Atualmente, o maior receio desses especialistas em segurança digital reside no uso de inteligência artificial (IA) em ofensivas virtuais, considerando que ferramentas baseadas em IA se aprimoram velozmente e possuem potencial para burlar os mecanismos atuais de proteção. Além da inteligência artificial, os invasores da Binance recorreram a táticas sofisticadas de engenharia social para invadir a máquina de colaboradores que possuíam privilégios de acesso aos sistemas.
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