Rússia lança 36 mísseis e 172 drones contra Ucrânia antes de negociações de paz

Rússia dispara dezenas de mísseis e drones antes de negociações

Economia

As forças russas realizaram uma nova série de bombardeios contra o território ucraniano neste sábado (7), resultando em ao menos nove feridos e causando sérios danos à rede de energia em Kiev e em outras áreas do país. A ofensiva ocorreu bem perto de uma nova rodada de conversas entre representantes russos, ucranianos e americanos, agendada para a próxima terça-feira (10), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Conforme relatos do presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, o exército da Rússia disparou 36 mísseis balísticos na direção da capital e de zonas vizinhas durante a madrugada. A ação também contou com o emprego de 172 drones, que alcançaram a capital e outras 12 regiões ucranianas, ferindo inclusive uma criança.

Impacto na infraestrutura e energia

Moradias, comércios e instalações do setor elétrico sofreram avarias, gerando cortes no abastecimento de água e de luz. O prefeito da capital, Vitali Klitschko, informou que a situação também afetou os serviços de aquecimento urbano. Além disso, a Ponte Norte, considerada uma das principais vias da cidade, precisou ser interditada após os ataques.

Em pronunciamento oficial, Zelensky criticou Moscou por intensificar as hostilidades justamente no momento em que os países se organizam para retomar o diálogo diplomático.

“Quando a Rússia tenta mergulhar Kiev – uma cidade de milhões de habitantes – e todo o país na escuridão, a Ucrânia não pode ser deixada sozinha para enfrentar isso”, declarou. Na ocasião, o líder ucraniano apelou por maior suporte dos Estados Unidos e pela imposição de sanções mais severas contra os russos.

Em contrapartida, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou ter atacado a Ponte Norte, argumentando que o local servia para o transporte de armamentos e apetrechos militares voltados às tropas da Ucrânia. O governo russo também declarou ter atingido uma fábrica de mísseis Flamingo, uma usina elétrica, uma subestação e uma unidade de fabricação de munições, explosivos e pólvora na região de Kiev. Outra subestação de energia foi alvo na cidade de Zhytomyr.

Tragédia no sul e buscas

Enquanto isso, no sul da Ucrânia, equipes de resgate prosseguem com as buscas na vila de Komyshuvakha, situada na região de Zaporizhzhia. O local havia sido atingido na segunda-feira (2) por bombas russas que destruíram uma escola antiga e um abrigo nas proximidades, onde dezenas de cidadãos aguardavam suprimentos humanitários.

O número oficial de mortos subiu para 55 na manhã deste sábado, após o resgate de mais nove corpos nas 24 horas anteriores. Há, ainda, diversos desaparecidos. Entre os moradores locais está Mykola Krasnov, de 72 anos, que busca pela esposa. Ela havia saído de casa para buscar auxílio humanitário e não retornou, sem que ele recebesse notícias das equipes de salvamento sobre o paradeiro dela.

Resposta ucraniana e alvos na Rússia

A Ucrânia respondeu com investidas de drones contra o território russo. Na região de Belgorod, uma pessoa perdeu a vida após um equipamento atingir uma residência na cidade de Grayvoron, conforme dados das autoridades locais. O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter abatido 411 drones ucranianos durante a madrugada em dez regiões russas, além de interceptar aparelhos sobre a Crimeia e sobre os mares Negro e de Azov.

Na região de Saratov, um bombardeio causou estragos em prédios residenciais e em estruturas civis, de acordo com o governador Roman Busargin. A imprensa do país noticiou que a refinaria de petróleo local também foi alcançada, exibindo registros visuais de fumaça na cidade.

Já na região de Oryol, autoridades registraram danos a comércios e indústrias. Mídia russa reportou ainda um incêndio nas instalações da fábrica Proton-Electrotex, dedicada à produção de componentes para fins militares.

Perspectiva diplomática

Delegações da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos têm compromisso marcado para a próxima terça-feira (10), em Abu Dhabi. O encontro representará a quarta rodada de negociações sob mediação da gestão do presidente norte-americano Donald Trump, sendo que a etapa anterior aconteceu em fevereiro, na cidade de Genebra. Governos do Ocidente que apoiam o processo buscam uma saída para o conflito, embora impasses relacionados a territórios e segurança sigam sem solução.

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