Sete números para entender os negócios da Anthropic

Anthropic revela números bilionários em preparação para megainicialização na bolsa

Tecnologia

A Anthropic, desenvolvedora de inteligência artificial sediada em São Francisco e criadora do Claude, abriu integralmente seus dados financeiros pela primeira vez nesta segunda-feira (26). A divulgação faz parte dos preparativos para abrir capital em uma oferta bilionária que pode acontecer já no próximo mês. O laboratório de IA de fronteira, fundado em 2021 por sete ex-funcionários da OpenAI, apresentou ao mercado uma rara visão de seus negócios antes do que pode se consolidar como o maior IPO da história.

Abaixo estão os sete números principais que detalham a saúde financeira, os contratos de infraestrutura e os desafios estratégicos do laboratório tecnológico:

US$ 16,3 bilhões A Anthropic gerou US$ 16,3 bilhões (R$ 88,2 bi) em receita no primeiro semestre deste ano, quase 14 vezes mais do que no mesmo período do ano anterior —um ritmo de crescimento impressionante. A empresa obtém receita principalmente com a venda de assinaturas e com o uso de seus modelos de IA e produtos Claude.

US$ 80,7 bilhões O prejuízo líquido foi de US$ 80,7 bilhões (R$ 437 bi) no primeiro semestre deste ano. O valor pareceu elevado porque inclui uma despesa extraordinária de US$ 72,4 bilhões (R$ 392 bi) relacionada a notas conversíveis —um tipo de dívida que posteriormente será convertido em participação acionária— e a outros instrumentos financeiros. A Anthropic havia captado bilhões de dólares de grandes investidores, como Amazon e Google, na forma de dívida conversível. À medida que a avaliação de mercado da Anthropic disparou, o valor da dívida conversível também aumentou. Como essa dívida é considerada um passivo, ela foi contabilizada pela Anthropic como prejuízo.

US$ 807 bilhões A Anthropic assumiu compromissos em vários contratos de capacidade computacional e outras infraestruturas necessárias para desenvolver e operar sua IA. Segundo um cálculo do New York Times, os contratos relacionados em seu prospecto financeiro podem somar até US$ 807 bilhões (R$ 4,3 tri). Nem todos esses contratos são iguais. Um acordo para alugar capacidade computacional da SpaceX até 2029, por exemplo, pode ser rescindido a partir de 2027, mediante aviso prévio de 90 dias. Outros têm prazo mais longo, como um acordo de US$ 110 bilhões (R$ 595, 6 bi) com a Amazon que vigora até 2036. Nos contratos que não podem ser cancelados, a Anthropic terá de pagar independentemente de usar ou não a capacidade computacional. Isso pode representar um grande risco caso seu crescimento não acompanhe o ritmo dos compromissos assumidos.

US$ 132 bilhões No fim de junho, a Anthropic tinha cerca de US$ 132 bilhões (R$ 714, 8 bi) em caixa e investimentos de alta liquidez, uma reserva de capital já enorme à qual pode recorrer para impulsionar seu crescimento. O fato de a empresa abrir o capital para captar ainda mais recursos ressalta a agressividade de seus gastos. Na verdade, a Anthropic tem tanto dinheiro que, somente no primeiro semestre do ano, os juros obtidos com sua reserva de caixa superaram US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bi).

5 clientes, 25% Cinco clientes responderam por cerca de 25% da receita da Anthropic nos nove meses encerrados em 30 de setembro, o que significa que a empresa depende de apenas alguns grandes clientes. (A Anthropic não divulgou os nomes deles.) Muitos clientes não estão vinculados a contratos de longo prazo e podem reduzir ou cancelar seus gastos a qualquer momento.

50,1% Esse número se refere à parcela do controle dos votos que ficará nas mãos de Dario Amodei, CEO da Anthropic, e dos outros seis cofundadores da empresa após a abertura de capital, o que preservaria a influência do grupo fundador sobre o laboratório de IA. Essa estrutura é comum em empresas de tecnologia lideradas por seus fundadores, permitindo que eles conduzam seus negócios com alguma proteção contra os caprichos cotidianos dos investidores do mercado acionário.

94 páginas Das 335 páginas do documento apresentado pela Anthropic, 94 foram dedicadas a explicar os fatores de risco da empresa. Entre eles estava a possibilidade de os modelos de IA representarem “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”, o que também poderia expor a empresa a processos de responsabilidade por seus produtos e a danos à reputação. A Anthropic também citou a “concorrência intensa” e sua incapacidade de garantir capacidade computacional suficiente como riscos importantes.

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