As autoridades policiais de Portugal abriram oficialmente um inquérito para identificar o responsável por agredir com um soco uma adolescente brasileira de 17 anos. O ataque aconteceu na tarde de domingo (25), nas proximidades do local de votação do segundo turno das eleições presidenciais, situado no campus da Universidade de Lisboa. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (26) pelo cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeias.
O diplomata assegurou que o consulado seguirá acompanhando o desdobramento das investigações em conjunto com os órgãos policiais portugueses. “É um caso que consideramos muito grave. Do lado do consulado, tudo será feito para que esse ato não fique impune”, afirmou.
O ataque e o atendimento médico
A vítima usava uma camiseta vermelha no momento em que foi abordada a duas quadras da seção eleitoral, em uma área desprovida de policiamento. O agressor seria um suposto apoiador de Jair Bolsonaro.
A jovem recebeu os primeiros socorros de um médico plantonista no posto dos bombeiros da universidade. Em seguida, foi transportada de ambulância para o Hospital de São José, acompanhada por uma amiga maior de idade.
A adolescente sofreu lesões na face, resultando em um corte e no inchaço do olho esquerdo. De acordo com a equipe médica, ela recebeu alta na noite de domingo após permanecer em observação, mas apresentava forte abalo emocional. Além de depoimentos de testemunhas, um registro em vídeo feito logo após o episódio flagrou o suposto autor da violência.
Clima de tensão e votação expressiva em Lisboa
O pleito na capital portuguesa reuniu 33 mil eleitores nas urnas, sendo que muitos optaram por permanecer nos gramados da Universidade de Lisboa após o voto. O cenário foi marcado por momentos de tensão, incluindo trocas de gritos e provocações entre apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro. A polícia precisou intervir para isolar os grupos em espaços separados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve a preferência na capital portuguesa, angariando 60% dos votos. Considerado o maior colégio eleitoral do Brasil no exterior, Lisboa registrou uma taxa de abstenção superior a 63,5% no primeiro turno, índice que recuou para 58% na segunda etapa. Ao todo, 78.607 eleitores estavam habilitados a votar na cidade.
Em todo o território português, o número de eleitores brasileiros chegou a 134.797 neste ano, o que representa uma expansão de 481,5% em comparação a 2010, quando o total era de 23.182 inscritos.
Deslocamentos para participar do pleito
A votação também foi marcada pelo esforço de eleitores que não compareceram ao primeiro turno. A estudante Manuela Le-Fort, residente em Paris, deslocou-se até Lisboa para participar do pleito. “Eu morava em Lisboa e, quando chegou o período para transferir o título, ainda não tinha sido aceita pela faculdade em Paris. No primeiro turno acabei não vindo, mas achei importante estar aqui hoje”, afirmou.
A jurisdição de Lisboa também abrange os eleitores residentes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Vinda diretamente da Madeira, Bárbara Ramos viajou exclusivamente para a capital lusitana. “É complicado vir votar. Peguei um voo de madrugada e volto para a Madeira hoje mesmo, às 16h. No primeiro turno não vim, mas acho que este é um momento decisivo, o que me motivou”, disse.
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