O aumento repentino no volume do córrego do Sapateiro fez com que os lagos do parque Ibirapuera transbordassem na tarde de quarta-feira (14), na zona sul de São Paulo. A força da enxurrada provocada pelo temporal arrastou detritos, lama e poluentes urbanos para dentro das águas do parque, de acordo com informações prestadas por Samuel Lloyd, diretor da concessionária Urbia, responsável pela gestão do espaço.
Durante o evento climático, o pluviômetro instalado no local registrou um acumulado de 97 mm de precipitação em menos de 60 minutos. A violência das águas causou avarias na mureta com gradil situada no portão 8.
Histórico de cheias e a bacia do Sapateiro
O transbordamento recente aconteceu cerca de nove meses após outro episódio crítico no parque. Em janeiro deste ano, a marquise do Ibirapuera ficou alagada, situação que a própria Urbia também associou à cheia do córrego do Sapateiro, que teria estrangulado o escoamento pluvial.
Com uma extensão total de 6,6 km, o córrego do Sapateiro percorre regiões densamente urbanizadas da zona sul da capital, fluindo em grande parte sob galerias canalizadas. Ele deságua justamente nos lagos do Ibirapuera antes de seguir o seu curso natural em direção ao rio Pinheiros.
O que dizem os órgãos públicos e a concessionária
Procurada, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) informou que o lago passa por serviços de manutenção e tem papel ativo na macrodrenagem local, atuando como uma bacia de contenção para águas pluviais. “A SVMA reforça que o contrato de concessão estabelece a responsabilidade da concessionária pelo monitoramento e pela preservação dos recursos naturais do parque, além da coleta permanente de resíduos e detritos flutuantes.”
Por sua vez, a Sabesp garantiu que a rede de esgotamento da região “opera em plena regularidade”. Além disso, “A Companhia ressalta que o monitoramento do nível dos córregos, a análise da qualidade de suas águas e a drenagem urbana não estão no âmbito de suas atribuições.”
Diante do cenário, Lloyd explicou que a “poluição é difusa e que a chuva leva sujeira das ruas para o córrego e, depois, para os lagos do Ibirapuera”. A concessionária realiza checagens trimestrais da qualidade hídrica e recolhe o lixo da superfície todos os dias, de forma manual, com o auxílio de uma embarcação.
O diretor pontuou ainda a existência de trechos assoreados nos lagos — onde a terra e a areia acumuladas diminuem a profundidade útil do reservatório —, afirmando que a empresa mantém esforços para reflorestar e resguardar as margens. Como solução de longo prazo, defendeu intervenções urbanísticas que descentralizem a retenção de enxurradas, evitando sobrecarregar a estrutura do parque.
Força-tarefa e impacto para frequentadores
Para recuperar a área afetada, a Urbia estruturou uma operação de zeladoria com 120 trabalhadores dedicados aos reparos e à higienização das vias. O parque abriu normalmente no dia seguinte, quinta-feira (15), às 5h, sem registro de problemas envolvendo o público.
Mesmo com a reabertura, a rotina foi alterada para alguns frequentadores. O empresário Aprígio Moreira, de 62 anos, relatou ter visto a movimentação dos funcionários de manhã cedo e notou que muitos pedestres tiveram de desviar dos caminhos habituais. Já o modelo Rodrigo Perrucci, de 21 anos, precisou adiar seu treino de corrida por conta do temporal e chamou a atenção para o lixo descartado incorretamente, um obstáculo frequente nos dias de sol e maior lotação.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
