TSMC mantém lucro recorde, mas exige cautela para 2027

TSMC tem lucro recorde com IA, mas freia otimismo para 2027

Tecnologia

Impulsionada pela intensa corrida global em torno da inteligência artificial, a TSMC alcançou seu sexto recorde consecutivo de lucro líquido trimestral nesta quinta-feira (15). A gigante taiwanesa de semicondutores superou mais uma vez as projeções de Wall Street ao totalizar cerca de US$ 23 bilhões (aproximadamente R$ 105 bilhões) entre julho e setembro — avanço expressivo de 69% em relação ao mesmo período do ano passado.

No mesmo trimestre, a empresa faturou US$ 46,36 bilhões (cerca de R$ 230 bilhões). Com a margem operacional atingindo 58,7%, a fabricante demonstra um alto poder de precificação em escala internacional, consolidando-se como fornecedora indispensável para marcas de peso como Apple e Nvidia.

Projeções aquecidas para 2026

O ritmo acelerado deve continuar a curto prazo. Para o quarto trimestre de 2026, a estimativa de receita da empresa está situada entre US$ 52,3 bilhões e US$ 54,3 bilhões (podendo alcançar até R$ 270 bilhões). Caso essas metas se concretizem, o salto será de quase 60% na comparação com os últimos três meses de 2025. Diante desse cenário favorável, a projeção de crescimento da receita total para 2026 foi revisada de 40% para 44%.

A força dos semicondutores de ponta

A forte expansão financeira é explicada pelo alto volume de aportes em infraestrutura para IA, segmento em que os pedidos dos clientes excedem amplamente a capacidade de produção da fabricante. O setor de Computação de Alta Performance (HPC) já responde por 68% de todo o faturamento da companhia.

As tecnologias mais avançadas dominam as vendas: processos litográficos iguais ou inferiores a 7 nanômetros corresponderam a 79% da receita de wafers no trimestre, sendo que os chips de 3 nanômetros responderam sozinhos por 33% dessa fatia.

Alerta de prudência para 2027

Apesar do desempenho histórico, a TSMC adota uma postura conservadora frente à chamada “megatendência de IA”. Em reunião com o mercado, executivos chamaram a atenção para os custos elevados de componentes de hardware e os impactos econômicos decorrentes, motivo pelo qual planejam “com prudência” as operações voltadas para 2027.

Para mitigar a pressão sobre a capacidade produtiva e diversificar suas operações, a fabricante segue expandindo suas instalações nos Estados Unidos. A construção de sua fábrica no estado do Arizona já foi finalizada, e a fabricação de semicondutores em larga escala na unidade deve ter início a partir do terceiro trimestre de 2027.

O bom momento do ecossistema de tecnologia também se reflete em suas principais clientes: a Apple alcançou a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, tornando-se a segunda companhia no mundo a atingir esse patamar histórico.

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