Varejo de moda culpa fim da taxa das blusinhas por perdas de vagas no setor

Varejo de moda culpa fim de imposto por demissões e cobra governo

Mercados

O varejo de moda brasileiro atribuiu diretamente ao fim da chamada taxa das blusinhas a retração nos postos de trabalho registrada pelo setor no mês de setembro. Bem no momento que antecede a Black Friday e o Natal, duas das temporadas mais lucrativas para o comércio, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) exige pressa na reavaliação da norma governamental, conforme promessa feita anteriormente pela gestão federal, conforme aponta a instituição.

O mercado já sofre com um cenário macroeconômico adverso, marcado pelo endividamento elevado das famílias, o que reduz o poder de compra. Paralelamente a isso, a concorrência global tem desviado a atenção dos consumidores locais para sites estrangeiros, com forte destaque para as empresas da China.

Refletindo esse panorama desafiador, a Lojas Renner comunicou nesta quinta (5) a suspensão de suas projeções de avanço na receita para 2026, bem como para o horizonte entre 2027 e 2030, motivada por tais adversidades.

Impacto nos empregos e no comércio

Durante o mês de setembro, o setor varejista eliminou 46,4 mil vagas de trabalho, conforme apontam as estatísticas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) tornadas públicas nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No balanço geral, considerando a totalidade dos segmentos econômicos, este foi o pior desempenho para o mês de setembro na abertura de postos formais em toda a série histórica.

De acordo com a Abvtex, o baque nos empregos do varejo se divide entre 34,9 mil vagas suprimidas no comércio de vestuário e acessórios, além de outras 11,5 mil no setor calçadista.

A associação ressalta que o próprio IBGE registrou quedas consecutivas nas vendas do segmento: recuo de 3,6% em maio, 2,8% em junho, 1,5% em agosto e 3,9% em setembro. Em contrapartida, o volume de encomendas do exterior gerenciadas pelo Programa Remessa Conforme experimentou uma alta de 86,1% após o fim da isenção, comparado a 2025, baseando-se em números da Receita Federal trazidos pela entidade.

Pressão dos juros e concorrência asiática

Enfrentando juros elevados — com a taxa básica da economia, a Selic, mantida em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4) — e consumidores endividados, o comércio interno perde espaço para plataformas asiáticas como Shopee, Shein e Aliexpress, que praticam valores inferiores aos do mercado brasileiro.

Diante disso, a associação pressiona o governo por uma revisão ainda para este ano da taxa das blusinhas, tributo que incidia sobre encomendas externas de até US$ 50 (R$ 275), faixa que afeta majoritariamente os consumidores. A desoneração ocorreu em maio deste ano, e o setor agora tenta salvar o faturamento das festas de fim de ano.

Para o próximo ano, com a entrada em vigor da primeira etapa da reforma tributária, essas aquisições do exterior passarão a ser taxadas pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), cuja cobrança prevista gira em torno de 9%.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *