Vega Sicilia lança Deiva, seu primeiro vinho branco espanhol

Vega sicilia lança deiva, seu primeiro vinho branco da espanha

Gastronomia

Conhecida mundialmente por seus tintos icônicos, a tradicional vinícola espanhola Tempos Vega Sicilia decidiu expandir horizontes e investiu na produção de seu primeiro vinho branco na Espanha. O resultado dessa empreitada é o Deiva 2024, fruto de quase dez anos de pesquisas, seleções de terrenos e testes na adega, além de um aporte financeiro de aproximadamente 20 milhões de euros na região de Crecente, situada na província de Pontevedra, na Galícia.

O projeto é liderado por Pablo Álvarez, CEO do grupo, que há tempos nutria o sonho de elaborar um grande vinho branco no país. A uva escolhida foi a Albariño, célebre por sua acidez, notas cítricas e forte ligação com o Atlântico. Contudo, a proposta vai muito além de criar um rótulo comum para acompanhar frutos do mar: a meta é elevar a casta a um novo patamar de complexidade, conferindo-lhe estrutura e potencial de guarda.

As faces da galícia na taça

De acordo com o produtor, o Deiva mescla duas distintas facetas da Galícia em uma única garrafa. Enquanto a região de Val do Salnés aporta vivacidade, acidez marcante e um perfil salino devido à forte influência do mar, a subzona de Condado do Tea contribui com maior maturação, corpo e generosidade. Na adega, a elaboração foge de fórmulas padronizadas, utilizando recipientes de aço inoxidável, concreto, granito e madeira conforme as características de cada lote.

Com cerca de 18 meses entre produção e amadurecimento, o Deiva 2024 chega ao mercado europeu em uma tiragem inicial relativamente modesta de aproximadamente 32 mil garrafas. Os valores estimados na Espanha variam entre 40 e 50 euros, um preço que, para os padrões da marca, chama a atenção tanto quanto a própria transição para os vinhos brancos.

Tradição e novos rumos

Embora seja uma novidade em solo espanhol, a Tempos Vega Sicilia já possui bagagem com uvas brancas. Desde 1993, o conglomerado comanda a Oremus, localizada em Tokaj, na Hungria, onde elabora tanto icônicos vinhos doces quanto brancos secos da casta Furmint. Além disso, a incursão galega terá um desdobramento ainda mais exclusivo: um irmão mais ambicioso do Deiva, batizado de Arnela, focado em evidenciar ainda mais o potencial de envelhecimento da Albariño, sem data oficial de lançamento confirmada.

Essa movimentação reforça uma importante transformação no cenário vitivinícola da Espanha. Historicamente associada à robustez e à longevidade de seus tintos, a indústria nacional vê regiões como Rías Baixas, Valdeorras e Bierzo provarem que os brancos locais podem aliar frescor e complexidade sem dever nada aos tradicionais exemplares franceses. No Brasil, os rótulos do grupo são trazidos pela Mistral, embora ainda não exista uma data confirmada para o desembarque oficial do novo Deiva 2024 no país.

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