Volvo diz que vender modelos europeus na China não vai funcionar

Volvo admite que vender carros europeus na China já não funciona

Automóveis

A comercialização na China de automóveis concebidos para múltiplos mercados deixou de ser viável. A constatação é de Håkan Samuelsson, diretor-executivo da Volvo Cars, que reconhece que a velocidade da transformação no mercado chinês surpreendeu a fabricante sueca, forçando uma reformulação completa em sua estratégia de negócios.

Em entrevista concedida à CNBC, o executivo detalhou que a dinâmica do mercado chinês impacta diretamente as montadoras ocidentais, que agora precisam lidar com rivais locais dotados de alta competitividade.

“Agora conseguimos perceber que vender automóveis globais desenvolvidos na Europa e na China não vai funcionar”, afirmou o responsável, sublinhando que a mudança aconteceu “mais depressas do que pensávamos”.

Essa revelação ocorre em um cenário desafiador para a companhia. Durante o terceiro trimestre, o faturamento da marca no território chinês registrou uma queda de quase 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Conforme apontado por Samuelsson, os compradores locais dispõem de opções cada vez mais atraentes, cenário que obriga as empresas europeias a reavaliar os processos de criação e venda de seus veículos.

Nova abordagem para veículos na China

Para enfrentar esse panorama, a montadora planeja conceder maior independência à sua divisão chinesa, priorizando a criação de automóveis alinhados aos gostos do público da região.

“Precisamos de uma nova estratégia na China”, afirmou Samuelsson, defendendo uma estrutura mais regionalizada e automóveis concebidos para responder às necessidades específicas de cada mercado.

A eficiência de custos também será um pilar central. O dirigente avalia que a Volvo precisará compartilhar plataformas junto à sua controladora, a Geely, além de criar softwares fundamentais diretamente na China, o que engloba sistemas de entretenimento a bordo e de auxílio à direção.

“Se não tivermos isso, penso que não conseguiremos vender automóveis na China”, declarou.

A diretriz marca uma guinada importante para uma companhia tradicionalmente fundamentada na engenharia europeia, que agora passa a disputar espaço com fabricantes chineses capazes de unir inovação tecnológica, agilidade de lançamento e valores acessíveis.

Cortes de vagas e reestruturação financeira

A retração no faturamento chinês, somada à pressão sobre as margens no mercado norte-americano, motivou a Volvo a implementar um plano de corte de despesas de 5 mil milhões de coroas suecas (cerca de 449,3 milhões de euros). O ajuste prevê a eliminação de 2.500 postos de trabalho, sendo 2.000 deles concentrados na Suécia.

O executivo situou tais ações dentro de um processo de reestruturação corporativa voltado ao fortalecimento das atividades regionais e à diminuição do peso da administração central.

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