YMTC planeja usar até 70% de equipamentos chineses em nova fábrica de chips de memória

YMTC quer usar até 70% de maquinário chinês em nova fábrica

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A Yangtze Memory Technologies (YMTC), maior fabricante de chips de memória flash da China, pretende utilizar até 70% de equipamentos de fornecedores nacionais em sua quarta fábrica, que será construída em Wuhan, cidade onde a empresa está sediada. Essa meta representa um avanço significativo na estratégia chinesa de mitigar a dependência de tecnologias estrangeiras na produção de semicondutores, respondendo diretamente às restrições comerciais impostas pelos EUA.

O patamar estimado supera o índice planejado para a terceira unidade da companhia, cuja entrada em operação está prevista para 2026, com pouco mais da metade dos maquinários vindos de marcas chinesas. Informações obtidas por fontes ouvidas pela Reuters indicam que a intenção da YMTC é assegurar que pelo menos 60% dos aparatos da nova planta sejam locais, com chances reais de essa fatia subir para 70%. O início das obras está agendado para 2027, embora pedidos formais aos fabricantes ainda não tenham sido protocolados.

Foco em inteligência artificial e chips avançados A unidade recém-planejada tem a missão de fabricar os semicondutores NAND mais modernos da YMTC, estruturados com mais de 300 camadas de células de memória empilhadas em formato vertical. Tais componentes são vitais para guardar informações em computadores, celulares e centros de dados. Quanto mais camadas o componente possui, maior se torna a capacidade de armazenamento mantendo o mesmo tamanho físico. A linha produtiva será voltada prioritariamente para centros de dados e demandas de inteligência artificial (IA).

Esse salto tecnológico também pode ampliar a vantagem da YMTC frente a rivais internacionais ativas no território chinês. Atualmente, a Samsung adapta sua unidade em Xi’an para fabricar chips de 286 camadas, enquanto a SK Hynix atualiza uma planta em Dalian visando subir a produção de chips de 192 para 240 camadas ou mais. Durante o segundo trimestre de 2026, a YMTC atingiu 38,5% do mercado chinês de memória NAND, superando os 28% registrados em 2025, ultrapassando a Samsung e conquistando a liderança nacional, conforme levantamento da consultoria Omdia.

Impacto nos fornecedores e contexto geopolítico O uso massivo de tecnologia nacional deve fortalecer empresas chinesas do setor de equipamentos, a exemplo de Advanced Micro-Fabrication Equipment (AMEC) e Naura Technology Group. Marcas do país já entregam grande parte das ferramentas aplicadas pela YMTC em processos fundamentais, como polimento e limpeza de wafers, que são os discos finos de silício utilizados como base para os circuitos. Mesmo com os progressos, a companhia ainda necessita de parceiros internacionais para obter ferramentas complexas, a exemplo de sistemas de inspeção e máquinas de litografia.

Todo esse planejamento acontece sob o impacto dos embargos norte-americanos ao avanço tecnológico chinês nos semicondutores. No mês de dezembro de 2022, o Departamento de Comércio americano colocou a YMTC em sua lista de restrições, impondo barreiras severas à aquisição de certos maquinários fabricados nos Estados Unidos. Tais diretrizes também alcançam Samsung e SK Hynix, obrigadas a buscar licenças anuais em Washington para trazer ferramentas americanas aos complexos na China.

Além disso, a YMTC projeta erguer mais duas unidades em Wuhan. Quando atingirem capacidade máxima, a terceira, a quarta e a quinta fábricas terão potencial para processar cerca de 100 mil wafers mensais cada uma, o que resultará em mais do que o dobro da capacidade produtiva atual da empresa.

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