A corrida desenfreada pela inteligência artificial sofreu um revés contundente nas urnas na última terça-feira (4 de novembro de 2026), quando o boom de centros de dados foi submetido à votação popular em 41 ocasiões distintas. Com a apuração praticamente concluída na quarta-feira, a expansão tecnológica obsequiou apenas uma vitória em todo o processo.
Espalhadas por 10 estados americanos — com forte concentração em Ohio —, as pautas incluíram moratórias, tentativas de alteração de zoneamento e consultas consultivas para autoridades locais. Outras seis votações haviam antecedido o pleito neste ano, enquanto mais três consultas ainda devem ocorrer. Em várias cidades, as margens de rejeição foram impressionantes. Em Wells, no Maine, mais de 80% dos eleitores aprovaram uma moratória retroativa de 180 dias contra o desenvolvimento desses complexos.
A única vitória pró-infraestrutura ocorreu em Harwood, na Dakota do Norte, onde a população rejeitou por cerca de três a um uma proposta que exigia análises extras para projetos industriais, incluindo os centros de dados. Vale destacar que um centro de dados de US$ 3 bilhões, batizado de Polaris Forge 2, já está em construção nas proximidades do município.
O ceticismo popular também ecoou nas disputas executivas. Os governadores eleitos Gina Hinojosa (Texas), Keisha Lance Bottoms (Geórgia) e Amy Acton (Ohio) — todos democratas — transformaram a regulamentação dos centros de dados em um dos pilares de suas campanhas. O Texas é considerado o mercado mais crítico, respondendo por cerca de um quarto da capacidade de centros de dados em desenvolvimento nos Estados Unidos, segundo uma análise recente, de modo que regras mais rígidas no estado podem desacelerar a expansão em nível nacional.
Impacto nos mercados e projeções políticas
No curto prazo, a reação dos investidores na quarta-feira foi de nervosismo, resultando na queda acentuada das ações ligadas a data centers de inteligência artificial. A longo prazo, os resultados dão ainda mais sustentação à previsão feita pelo diretor global de assuntos da OpenAI, Chris Lehane, de que a inteligência artificial será o tema definitivo da eleição presidencial de 2028.
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