Uma nova esperança para pacientes com câncer! A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento contra câncer de pulmão avançado, capaz de reconhecer uma proteína presente nas células tumorais e liberar uma substância que provoca a morte dessas células. O tratamento, chamado Emrelis, teve a aprovação divulgada na terça-feira (20) e representa mais uma alternativa para pessoas que já enfrentaram outros tratamentos.
O novo medicamento contra câncer de pulmão é indicado para adultos com características específicas da doença, em estágio localmente avançado ou metastático. Nos estudos clínicos, 34,5% dos pacientes com alta expressão da proteína c-Met apresentaram redução mensurável dos tumores. O resultado é considerado importante porque esses pacientes têm opções limitadas de tratamento.
A aprovação representa um avanço da medicina no combate ao câncer de pulmão, uma das principais causas de mortes por câncer no mundo. O Emrelis, cujo princípio ativo é o telisotuzumabe vedotina, funciona como uma terapia direcionada, levando o medicamento até as células que apresentam a proteína c-Met. A novidade amplia as possibilidades de tratamento, embora não represente uma cura garantida, de acordo com a Agência Brasil.
Como funciona o novo medicamento
O Emrelis pertence a uma classe de tratamentos conhecida como conjugados anticorpo-medicamento. A tecnologia combina um anticorpo, que reconhece determinadas características das células tumorais, com uma substância capaz de destruí-las.
Nesse caso, o anticorpo identifica a proteína c-Met, presente na superfície das células do câncer, e se liga a ela.
Depois, o complexo é levado para o interior da célula, onde libera a substância monometilauristatina E, conhecida como MMAE, que interfere na divisão celular e provoca a morte da célula tumoral.
Resultados animadores nos estudos
A aprovação foi baseada principalmente nos resultados do estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY, realizado com pacientes que já haviam recebido tratamentos anteriores contra o câncer de pulmão.
Na população total avaliada, 29,2% dos participantes apresentaram resposta objetiva ao medicamento, ou seja, uma redução mensurável dos tumores.
Entre os pacientes com alta expressão da proteína c-Met, a taxa de resposta chegou a 34,5%. Segundo a Anvisa, também foram observadas respostas duradouras em parte dos participantes.
Quem poderá receber o tratamento
O novo medicamento é destinado a pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas, do subtipo não escamoso, em estágio localmente avançado ou metastático.
Para receber o tratamento, o tumor precisa apresentar alta expressão da proteína c-Met e EGFR do tipo selvagem, isto é, sem as mutações específicas desse receptor. O paciente também deve ter recebido uma terapia sistêmica anteriormente.
Essas características são identificadas por exames e avaliadas pela equipe médica, que determina se o medicamento é adequado para cada caso.
Mais esperança para pacientes
O câncer de pulmão de células não pequenas representa aproximadamente 85% dos casos da doença. Desse grupo, cerca de 70% correspondem ao subtipo não escamoso.
Nos estágios avançados, principalmente após tratamentos como quimioterapia e imunoterapia, as alternativas disponíveis podem ser limitadas.
Por isso, a aprovação de novas terapias direcionadas é importante para ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer novas chances de resposta ao tratamento.
O registro aprovado pela Anvisa permite avançar para as próximas etapas de disponibilização do medicamento no Brasil. No entanto, a autorização não significa que ele já esteja disponível no SUS.
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