O episódio 215 do podcast 451 MHz prestou uma homenagem à escritora, educadora popular e ativista de direitos humanos Maria Amélia de Almeida Telles, conhecida como Amelinha Telles. A ativista faleceu no dia 15 de setembro, aos 81 anos, deixando um legado marcante na luta contra os crimes cometidos pela ditadura militar no Brasil. Gravada durante A Feira do Livro 2026, a conversa reuniu Amelinha e o jornalista Camilo Vannuchi para debater a urgência de manter viva a história do período ditatorial.
Militante histórica do PCdoB, Amelinha foi presa aos 27 anos ao lado de seu marido, César Augusto Telles, sendo submetida a sessões de tortura comandadas pelo major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra no DOI-CODI de São Paulo. Durante o período de cárcere, ela escreveu em 1973 os relatos que compõem o livro Contos da cela três, obra lançada meio século depois, em 2024, pela editora Ema. Em 2005, sua família moveu uma ação judicial histórica que resultou na declaração de Ustra como o primeiro agente da ditadura reconhecido oficialmente como torturador pela Justiça brasileira.
Além de sua atuação contra o regime militar, Amelinha destacou-se no movimento feminista, integrando o jornal Brasil Mulher nos anos 1970 e publicando obras essenciais como Breve história do feminismo no Brasil (1993) e O que é violência contra a mulher (2002). O bate-papo na praça Charles Miller, em São Paulo, também contou com a mediação da colunista Juliana Borges e abordou como a lembrança e a verdade histórica continuam fundamentais para a consolidação da democracia brasileira.
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