O Itaú Unibanco informou nesta segunda-feira (26) a assinatura do contrato de compra das ações da NeoSpace, startup brasileira especializada em modelos de tratamento de dados com inteligência artificial. Segundo comunicado do banco publicado no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a operação é avaliada em R$ 2,9 bilhões.
Focada em aplicar inteligência artificial generativa em escala às soluções para negócios e clientes, a empresa presta serviços ao Itaú há quase dois anos.
“A aquisição fortalece a continuidade da relação entre a NeoSpace e o Itaú, que vinha demonstrando resultados relevantes e transformadores em frentes como crédito, CRM (customer relationship management) e prevenção a fraudes”, diz o banco no documento.
Conforme o comunicado do Itaú, gestão e operação da NeoSpace não serão vinculadas diretamente à instituição, e a equipe da startup será mantida.
Visão de especialistas sobre o negócio
Daniel Calori, da consultoria Íntegra Associados, diz que esse é um dos pontos positivos da operação. Segundo ele, o Itaú está investindo no que os profissionais da empresa poderão entregar no futuro. “O Itaú já é parceiro, não precisaria comprar a empresa se não estivesse pensando nisso.”
Segundo ele, a internalização da NeoSpace pelo Itaú, incluindo tecnologia e equipe, favorece o desenvolvimento de soluções específicas para o banco, e evita o risco trazido pela contratação de uma plataforma externa.
“Se o banco faz uma IA própria, ele mantém essa tecnologia dentro de casa e mantém o diferencial competitivo”, diz. Para Callori, o grande ativo do Itaú são os dados de crédito acumulados ao longo dos anos de operação. Alimentar uma plataforma externa pode trazer, afirma ele, o risco de os dados serem utilizados em soluções para outras companhias.
Por outro lado, o consultor afirma que as diferenças de cultura entre a instituição financeira, com processos mais rígidos, e a startup, com abordagem mais flexível, podem gerar insatisfação nos profissionais da Neo Space.
A manutenção do CEO da NeoSpace, Bruno Pierobon, é, segundo ele, um sinal positivo em relação a isso. “No papel inicial essa ideia é interessante. Agora tem que ver se vão conseguir manter essa cultura de startup dentro de uma grande corporação”, afirma.
Próximos passos e metas da instituição
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o Itaú afirma que as competências e a cultura de inovação que caracterizam a startup serão preservadas.
Outro objetivo do banco com a aquisição é impulsionar a evolução do ia.i, assistente de IA generativa próprio, e ampliar a personalização de interações e soluções aos clientes.
Quando a compra for concluída, após o cumprimento de condições como a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Banco Central, o Itaú pagará a primeira parcela, de valor não informado. O restante do valor será quitado em cinco anos, desde que cumpridas determinações do contrato.
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