Movida (MOVI3) tem lucro líquido de R$ 152 mi no 3º trimestre, alta de 117% ao ano

Movida (MOVI3) registra lucro de R$ 152 mi no 3º tri e dispara 117%

Economia

A Movida (MOVI3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 152 milhões, o que representa um salto de 117% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. O montante reportado é idêntico ao da prévia de resultados que havia sido divulgada pela companhia ainda no início deste mês.

No período, a receita líquida totalizou R$ 3,870 bilhões, registrando uma expansão de 2,8% sobre o mesmo período de 2025. O desempenho operacional foi marcado pela alta no volume de vendas diárias, que passou de 6,085 para 7,439 milhares, configurando um avanço de 22%. Além disso, a tarifa RAC (Rent-A-Car) subiu de R$ 159 para R$ 167, alta de 5%, enquanto 767 mil novos clientes foram captados ao longo dos últimos 12 meses.

Estratégia e verticalização de serviços O crescimento teve como vetores a precificação dos serviços, a expansão da fatia de mercado da companhia e a disciplina de custos, afirma o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, em entrevista à Broadcast. Do lado dos custos, a maior novidade foi a expansão da rede de oficinas próprias da empresa.

“Sempre fizemos toda a manutenção por meio de oficinas terceirizadas e começamos a verticalizar a manutenção no começo deste ano. Abrimos centros para preparar os seminovos antes da venda e “pit stops” para manutenção em shopping centers e supermercados para o RAC”, afirma Moscatelli, que projeta que esses “pits stops” saltem de 11, atualmente, para mais de 50 no ano seguinte.

O Ebitda consolidado atingiu R$ 1,795 bilhão, superando em 21,4% o resultado do terceiro trimestre do ano passado. Já a margem Ebitda no setor de locação ficou em 74,2% neste terceiro trimestre, comparada a 72,6% registrada no mesmo período do ano anterior.

Desempenho em seminovos e frota No segmento de seminovos, a companhia vendeu 20.051 veículos (18 1% a menos do que no mesmo período de 2025) e obteve receita líquida de R$ 1,471 bilhão (16,2% a menos na mesma base de comparação).

Moscatelli diz que foi mantida no terceiro trimestre a estratégia de combinar o fluxo de vendas de seminovos com a sazonalidade da locação de veículos para extrair mais valor antes da revenda. Na comparação com o trimestre anterior, o número de carros vendidos ficou estável e a receita líquida com a venda foi 3,3% maior.

O executivo pontua que a empresa vem, há três anos, diminuindo o tíquete médio da frota para em torno de R$ 80 mil. O grande fluxo de veículos chineses que derrubou o preço de seminovos atingiu mais diretamente o segmento de veículos na faixa de R$ 130 mil a R$ 250 mil, explica. “Com essa mudança de ‘mix’ que fizemos, 90% dos nossos carros são abaixo de R$ 90 mil. Esse carro que temos na nossa frota ainda não compete com carro chinês disponível”, afirma.

Resultado financeiro e dívida O resultado financeiro somou R$ 900 milhões entre julho e setembro, ficando 13,3% maior frente ao igual intervalo do ano passado.

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 17,5 bilhões, ante R$ 15,5 bilhões anotados no terceiro trimestre de 2025. O prazo médio foi estendido de 3,2 anos para 4,2 anos, enquanto o custo médio passou de CDI + 1,9% ao ano para CDI + 1,9% (sic) ao ano no mesmo período comparativo. Com isso, o múltiplo da dívida sobre o Ebitda ficou em 2,56 vezes, ante 2,74 vezes na mesma base de comparação.

O CEO da Movida destaca ainda a melhora do perfil da dívida com dispersão dos vencimentos ao longo dos próximos anos, sem picos que concentrem os pagamentos e possam representar uma ameaça ao caixa da corporação. Ele ressalta que a geração de caixa cresceu de forma mais acelerada que o endividamento.

“Todo trimestre apresentamos uma redução. Obviamente, quando você olha a despesa financeira, com juros elevados e a companhia com a intensidade de capital que tem para fazer seu negócio, a despesa financeira cresce um pouco”, diz. “Todas as companhias que são intensivas em capital e utilizam mercado de capitais para se financiar sofrem um pouco nesses dias”, acrescentou.

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