Uma companhia sediada em Changzhou, na China, começou a comercializar um equipamento de US$ 1.000 (R$ 5.432) comandado por inteligência artificial, desenvolvido para rastrear mosquitos voadores e queimar suas asas. O aparelho emprega recursos encontrados em veículos autônomos para mapear os alvos e recorre à IA para decidir o momento exato em que é seguro efetuar o disparo.
Durante uma apresentação recente na sede da Photon Matrix, a máquina branca, com dimensões próximas às de um tijolo, eliminou vários insetos em sequência. Cada alvo foi atingido por um clarão verde ou azul acompanhado de um leve estalo.
Conforme explicou Wang Chuan, presidente-executivo e fundador da empresa situada a cerca de 160 km a noroeste de Xangai, o laser proporciona um fim cruel e prolongado. Os mosquitos atingidos podem demorar horas ou dias para morrer, ficando caídos e se contorcendo levemente.
Após a demonstração, foi constatado que as asas haviam sumido, mas as pernas e os troncos continuavam intactos, impedindo qualquer tentativa de voo, mesmo quando a mão era passada diretamente sobre eles.
Riscos associados ao laser de alta potência Apesar da eficiência, o equipamento apresenta um perigo considerável. Um feixe forte o suficiente para incapacitar um inseto também é capaz de provocar lesões oculares em seres humanos.
Batizado de “Laser Mosquito Air Defense System”, o produto faz uso de um laser de classe quatro, a categoria mais forte e usualmente restrita ao setor industrial. Esse tipo de tecnologia pode causar danos à retina em menos de um segundo, exigindo regulamentação severa para venda e utilização.
O projeto evidencia a velocidade com que o mercado chinês integra computação avançada a produtos voltados ao consumidor, um setor dominado em modelos de IA avançados pelos Estados Unidos. Além disso, a tecnologia abre margem para aplicações militares, sugerindo adaptações futuras para derrubar drones.
Wang relatou que a organização busca licenças regulatórias na China, na Europa e nos Estados Unidos, acreditando que a liberação em território chinês ocorrerá em breve. No mercado norte-americano, os fabricantes podem iniciar as vendas após entregarem a documentação necessária à FDA (Food and Drug Administration), órgão que não realiza testes práticos nos produtos, segundo Ken Barat, ex-responsável pela segurança de lasers no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.
Mecanismos de segurança e tecnologia LIDAR Barat avaliou que os múltiplos sistemas de proteção da Photon Matrix podem garantir a segurança do uso, mas alertou que um laser de classe quatro voltado para um alvo tão minúsculo concentra “muita energia” em uma área muito pequena.
Testes iniciais com versões de classe três falharam em incapacitar os insetos com confiabilidade. Por isso, a escolha recaiu sobre a classe quatro, limitando cada disparo a um centésimo de segundo — duração suficiente para queimar as asas e mitigar, sem zerar, o risco aos olhos, já que as asas absorvem pouco calor antes de o corpo sofrer danos severos.
Para resguardar pessoas e animais, o aparelho conta com uma câmera com IA que reconhece seres vivos e bloqueia o tiro. Superfícies refletoras também são identificadas para evitar ricochetes imprevisíveis. Um sistema de infravermelho e um radar separado ajudam na detecção de movimento em total escuridão.
Antes de operar a máquina, os compradores precisam responder a um questionário de 15 perguntas sobre segurança — incluindo qual cômodo evitar, sendo o banheiro a resposta correta devido à umidade e superfícies reflexivas. Apenas quem acerta tudo pode cadastrar a digital para ativar o sistema.
A caça aos insetos se apoia na tecnologia “LIDAR”, sigla em inglês para detecção e alcance por luz, mesma base dos carros autônomos. A máquina emite 100 mil pulsos fracos de laser por segundo para criar um plano bidimensional e rastrear pequenos alvos em movimento.
Apesar de sistemas semelhantes terem sido propostos antes, como o apresentado em 2010 pela Intellectual Ventures — fundada por um ex-executivo da Microsoft —, nenhum havia ganhado escala industrial. Atualmente, a Photon Matrix já registrou 5.000 pedidos antecipados pagos e iniciará a fabricação em massa nas próximas semanas, com planos para uma nova geração que utilize pulsos ainda mais curtos para que a umidade ocular absorva a energia antes da retina.
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