Após queda brusca da Bolsa, analistas recomendam cautela aos investidores

Queda na bolsa: analistas recomendam cautela aos investidores

Mercados

A reação dos investidores em ações à queda brusca da Bolsa brasileira não pode ser impulsiva, segundo o consenso entre especialistas do mercado financeiro. A orientação principal para o momento é aguardar as próximas sinalizações da taxa de juros, analisar a temporada de balanços do terceiro trimestre e seguir rigorosamente o próprio perfil de investimento, evitando vendas precipitadas.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirma que a variação desta semana não é um indicativo de queda constante do mercado brasileiro. De acordo com ele, as perdas recentes apenas conduziram o Ibovespa de volta ao patamar registrado antes da especulação eleitoral iniciada após o primeiro turno, quando a bolsa disparou e ultrapassou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos.

“Foi um movimento artificial, apenas devolveu o movimento artificial que tinha sido montado. Não era uma posição. Então, eu não vejo por que o investidor deveria se preocupar agora”, diz.

Impacto dos juros e setores em atenção

As decisões sobre alterações na carteira de investimentos devem ganhar intensidade após a reunião do Copom marcada para a próxima quarta-feira (4). Nesta semana, as estimativas de juros futuros avançaram mais de 250 pontos-base, indicando ao mercado uma possível contenção na queda da taxa Selic.

Caso essa tendência de juros elevados se confirme, portfólios com companhias de maior alavancagem financeira tendem a desvalorizar. Setores cíclicos domésticos, a exemplo do varejo e da construção civil, demandam cautela redobrada devido à alta sensibilidade ao crédito e aos juros altos, conforme apontam os analistas. Por outro lado, Praça avalia que o setor bancário, que também registrou quedas na semana, tem potencial de recuperação mesmo em um cenário de juros elevados.

Na visão de Gustavo Bertotti, analista da Fami Capital, a tendência mais provável é que os investidores priorizem empresas com maior previsibilidade, forte presença internacional e receitas atreladas ao dólar. Além dos bancos, gigantes exportadoras como Suzano, Embraer, Weg e Vale apresentam resultados mais constantes. O especialista também destacou seguradoras e empresas de telefonia por serem menos vulneráveis aos ciclos econômicos.

Bertotti reforça que o momento exige uma análise minuciosa dos próprios ativos e do perfil de investidor. “O driver mais importante para o investidor que quer operar renda variável é analisar a temporada de resultados corporativos”, diz. Somente após a avaliação detalhada dos balanços será possível definir quais posições manter, vender ou adquirir.

Oportunidades e capital estrangeiro

Adotar uma postura cautelosa diante do desempenho negativo recente pode resultar em lucros futuros, avalia Matheus Spiess, estrategista da Empiricus. Segundo ele, o retorno médio nos meses seguintes a tombos acentuados costuma ser positivo. Spiess também enxerga perspectivas favoráveis para a entrada de capital estrangeiro em ativos do país.

Segmentos como infraestrutura energética, saneamento básico e concessões rodoviárias e ferroviárias integram a lista de prognósticos positivos do analista, que relata ter identificado forte interesse internacional pelo Brasil após conversas com investidores estrangeiros.

“Tem coisa boa no Brasil, a gente só precisa fazer uma seletividade maior evitar nomes mais sensíveis a juros e ciclos”, afirma o Spiess.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *