Pesquisa usa assinatura química das árvores para reforçar combate a madeira ilegal

Pesquisa utiliza química de árvores para combater madeira ilegal

Curiosidades

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma abordagem inovadora que utiliza a composição química das árvores para diferenciar espécies de madeira e fortalecer o combate à exploração ilegal. O Brasil abriga entre 15% e 20% de toda a diversidade biológica mundial, com riquezas concentradas em suas florestas. No entanto, séculos de exploração reduziram drasticamente populações de espécies icônicas, como o pau-brasil, cuja população diminuiu mais de 80% nas últimas três gerações, classificando-o como criticamente em perigo de extinção.

Outras espécies de enorme valor econômico também sofreram com a retirada intensa. O mogno teve perdas de 90% a 95% dos indivíduos adultos em áreas exploradas, enquanto o pau-rosa foi intensamente derrubado para a obtenção de óleo essencial rico em linalol. Quando um caminhão é interceptado em rodovias, fiscalizar a carga torna-se um desafio complexo, pois toras e tábuas perdem folhas, flores e frutos, facilitando fraudes documentais e divergências entre volumes declarados e transportados.

Desafios na fiscalização e ineditismo científico Operações recentes ilustram essa dificuldade no país. Em agosto de 2025, uma ação da Polícia Rodoviária Federal apreendeu 2.043 m³ de madeira devido a irregularidades de espécie e volume. Em junho de 2026, outra operação no Pará recolheu 153 m³ de carga irregular. Já em outubro de 2026, no Maranhão, autoridades flagraram discrepâncias em 100 m³ de madeira, incluindo uma espécie ameaçada de extinção, apesar da existência de ferramentas oficiais como o Documento de Origem Florestal e o Sinaflor.

Para solucionar essa lacuna técnica, cientistas do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e do Serviço Florestal Brasileiro criaram uma técnica baseada em espectrometria de massas para ler a assinatura química da madeira, publicada em março de 2026 na revista científica ACS Omega. O estudo analisou mogno, cedro, andiroba e jatobá utilizando 60 amostras de cerne da Amazônia. O modelo alcançou cerca de 95% de acerto na validação cruzada e 100% em um teste cego com 12 amostras inéditas.

Perspectivas para postos de controle Embora o equipamento utilizado não seja portátil de mão, ele é menor, mais simples e custa cerca de 20% do valor das plataformas tradicionais de alta resolução. O método exige preparação mínima e realiza a classificação automatizada em um minuto por amostra, abrindo caminho para testes futuros em portos, aeroportos, bases policiais e laboratórios móveis.

A taxa consolidada de desmatamento da Amazônia Legal foi de 5.731 km² em 2025, queda de 12,07% em relação ao período anterior, enquanto os alertas do Deter caíram 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Apesar desses avanços rumo ao desmatamento zero, o comércio ilegal persiste integrado a outras redes criminosas. O avanço tecnológico reforça a soberania científica nacional e fornece evidências robustas para que o Brasil proteja melhor sua biodiversidade.

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