Embora o Halloween seja conhecido pelo retorno dos mortos, não é preciso esperar pelo Dia das Bruxas para assistir a ressurreições impressionantes. Na indústria automotiva, diversos nomes consagrados que desapareceram por anos ou até décadas decidiram retornar ao mercado. Enquanto alguns veículos apostam em uma receita bastante próxima à original, outros foram totalmente reinventados, mantendo apenas o batismo clássico. A eletrificação exerceu um papel fundamental em várias destas voltas, embora a força da nostalgia também seja um peso considerável, justificando uma nova vida mesmo quando pouco resta do modelo original.
Da Renault à Volkswagen, passando pela Honda, Citroën, Ford e Fiat, reunimos oito automóveis que regressaram dos mortos, deixando de fora alguns monstros consagrados como o Mini, o FIAT 500 ou o Volkswagen New Beetle para dar espaço a novidades recentes.
Renault 5 e a onda de retornos
O Renault 5 original chegou ao mercado em 1972 e rapidamente se tornou um dos modelos mais importantes da marca francesa. Compacto, com um desenho distinto e soluções práticas para o dia a dia, conquistou um lugar de destaque no mercado europeu. Sua relevância foi tanta que permaneceu em produção durante mais de duas décadas e duas gerações, originando variantes marcantes como o Renault 5 Turbo.
Mais de 50 anos depois, a fabricante recuperou o nome e a silhueta inconfundível do modelo para dar vida a um elétrico compacto. Revelado em 2024, o novo Renault 5 E-Tech elétrico une nostalgia e tecnologia atual para tornar a mobilidade elétrica mais acessível e atraente.
Contudo, a marca francesa não parou por aí e resgatou outros dois nomes históricos: a lendária 4L e o Twingo. O Renault 4 E-Tech elétrico, apresentado também em 2024, resgata a silhueta característica do modelo lançado em 1961. O original permaneceu ativo até 1992 com mais de oito milhões de unidades produzidas, tornando-se um dos veículos de maior volume da história da empresa, e agora retorna como um crossover compacto elétrico.
Já o Twingo nunca morreu verdadeiramente, mantendo o nome ao longo de várias gerações. No entanto, a nova geração decidiu fazer voltar à vida o desenho icônico do Twingo original de 1992, trazendo de volta a silhueta monovolume, a cara sorridente e uma versatilidade interior acrescida.
Volkswagen ID. Buzz
Poucos carros transformaram-se em símbolos culturais como a icônica Volkswagen “Pão de Forma”, lançada em 1950. A primeira geração da Transporter posicionava o motor refrigerado a ar na traseira e oferecia versões tanto de mercadorias quanto de passageiros, alcançando imensa popularidade.
Trata-se de um dos maiores ícones da história automotiva, cujo legado foi recuperado para a era elétrica por meio do ID. Buzz, apresentado em 2022. O veículo exibe uma silhueta facilmente reconhecível misturada a elementos visuais modernos. Curiosamente, o motor continua na traseira, embora agora seja elétrico, mantendo também as tradicionais variantes de carga e passageiros.
Honda Prelude
Lançado em 1978, o Honda Prelude sempre foi sinônimo de coupé. Embora nunca tenha sido um desportivo puro, combinava desempenho com conforto, sofisticação e tecnologia. Ao longo de cinco gerações, destacou-se por introduzir inovações avançadas da marca, a exemplo do sistema de direção às quatro rodas.
A Honda recuperou o nome em 2025, quase um quarto de século depois, com a revelação da sexta geração que, felizmente, evitou o destino de virar um utilitário esportivo como outros modelos da lista. O veículo tampouco é totalmente elétrico, adotando a eletrificação em formato de motorização híbrida com a tecnologia e:HEV, combinada a um chassi que compartilha muito com o Civic Type R.
Citroën 2CV
Lançado em 1948 com foco na França rural, o Citroën 2CV superou as expectativas iniciais para se tornar um símbolo de mobilidade acessível. Extremamente básico e barato, tornou-se um dos maiores ícones da fabricante e o modelo de maior longevidade, com produção encerrada apenas em 1990 na unidade de Mangualde, após superar cinco milhões de unidades fabricadas.
A marca prepara-se para recuperar o espírito do 2CV. O primeiro passo ocorreu recentemente no Salão de Paris com um protótipo que recupera a silhueta e traz referências visuais ao original. Mais do que a aparência, a montadora pretende resgatar os princípios de simplicidade, versatilidade e acessibilidade, com ambição de lançar o novo 2CV em 2028 por preços iniciais na casa dos 15 mil euros.
Ford Capri
Enquanto os americanos contavam com o Ford Mustang, os europeus receberam o Ford Capri em 1969. Inspirado pelo conceito de pony car, o modelo era mais compacto e adaptado ao mercado europeu, transformando-se em um enorme sucesso de vendas graças às linhas marcantes e uma gama ampla de motores, desde opções modestas de quatro cilindros até potentes blocos V6.
Após três gerações e sua saída de cena em 1986, o nome regressou em 2024 adaptado aos novos tempos. O Capri transformou-se em um crossover 100% elétrico de cinco portas com linha de teto descendente de coupé. Do veículo original restou apenas o nome e uma inspiração visual sutil, perceptível especialmente no desenho das óticas.
FIAT 600
Quando a FIAT ressuscitou o 500 em 2007, o modelo converteu-se no maior sucesso da marca nas últimas duas décadas. Apesar das tentativas de expandir a família com o 500X e o 500L, foi preciso esperar até 2023 para o retorno de outro peso-pesado: o FIAT 600.
O original estreou no Salão Automóvel de Genebra em 1955, ajudando a colocar a Itália e a Espanha sobre rodas no pós-Segunda Guerra Mundial. Compacto, econômico e espaçoso para famílias, o modelo gerou variantes originais como o 600 Multipla, capaz de levar até seis pessoas em três filas de bancos com carroceria monovolume alta. O novo FIAT 600 mantém os princípios do passado, mas cresceu, ganhou portas traseiras e virou um crossover adaptado às tendências, disponível em versões elétricas e mild hybrid.
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