Plano do governo de SP para o El Niño inclui investimento de R$ 29 bi e obras contra falta de água

SP lança plano de R$ 29 bi para conter impactos do El Niño

Brasil

Diante da iminência de o fenômeno El Niño atingir intensidade severa no próximo mês, a gestão estadual paulista estruturou uma ampla força-tarefa para blindar o território contra eventos climáticos extremos. O pacote de intervenções, apresentado pelo governador Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes, prevê aportes que somam R$ 29 bilhões até 2029 em infraestrutura, contenção de riscos e segurança no abastecimento.

Vigilância diária e envio de alertas aos cidadãos

A principal mudança na gestão de crises é a implementação do programa São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027, que encerra o formato sazonal da antiga Operação Chuvas. Agora, o acompanhamento técnico ocorrerá de modo ininterrupto todos os dias até o encerramento de 2027, com foco na resposta rápida a tempestades severas, secas prolongadas, queimadas e ondas de calor.

Para centralizar as decisões, entrou em operação o Gabinete Especial da Operação El Niño, reunindo forças de segurança pública, bombeiros, órgãos governamentais e concessionárias dos serviços de energia, água e gás. Sob essa coordenação, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil passará a divulgar previsões diárias com horizonte de três dias, mapeando os riscos de cada cidade.

O nível de ameaça aos municípios será escalonado nas cores verde (observação), amarelo (atenção), laranja (alerta) e vermelho (emergência). Em episódios de perigo iminente, os moradores receberão avisos diretamente na tela do smartphone por meio do sistema Cell Broadcast ou via SMS pelo canal 40199.

Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, o modelo busca antecipar cenários de crise: “São Paulo foi pioneiro ao incorporar o monitoramento da adaptação às mudanças climáticas ao planejamento de longo prazo do estado”. A titular da pasta pontuou ainda que o objetivo é atender com eficácia as demandas específicas de cada bacia hidrográfica e localidade.

Novos reservatórios e garantia de abastecimento

No setor hídrico, a estratégia prevê a conclusão de dois grandes reservatórios voltados a suprir a Região Metropolitana de Campinas. A barragem Duas Pontes alcançou 98% de execução física, enquanto a represa de Pedreira registra 80% de avanço. Ambas as obras, iniciadas em 2019, somarão capacidade de estocagem de 85 bilhões de litros de água, beneficiando diretamente 5,5 milhões de habitantes em 20 municípios.

Outros projetos de engenharia incluem a duplicação da vazão dos rios Camanducaia e Jaguari, além da implantação do sistema Itatinga, projetado para canalizar 300 litros por segundo a Bertioga e 1.000 litros por segundo a Guarujá. Para resguardar a Grande São Paulo, o plano engloba a ampliação da captação e do tratamento nas estações de Cotia e Rio Grande, interligadas ao Sistema Integrado Metropolitano (SIM).

Desassoreamento de rios e canais

A recuperação da capacidade de escoamento de calhas fluviais receberá atenção especial por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) contratada por 15 anos. O escopo abrange a limpeza e manutenção contínua de 182,9 km do rio Tietê (entre Salesópolis e Pirapora do Bom Jesus), 25 km do rio Pinheiros e 2 km da represa de Guarapiranga, além de serviços em outros 500 rios e córregos do interior.

A titular da pasta explicou o duplo papel da dragagem preventiva: “O desassoreamento é importante tanto na enchente, porque limpa o rio e melhora o escoamento, quanto na seca, porque nos ajuda na captação”.

Destinação dos R$ 29 bilhões previstos

O montante global informado pela administração estadual está distribuído nas seguintes frentes operacionais e de engenharia:

  • R$ 9,5 bilhões: PPP de desassoreamento contínuo, conservação de margens e manutenção de pôlderes nos rios Tietê e Pinheiros;
  • R$ 9 bilhões: modernização da malha de distribuição da Sabesp para conter perdas de água até 2030;
  • R$ 2,76 bilhões: habitação popular e reassentamento de famílias que ocupam encostas e várzeas de alto risco;
  • R$ 1,9 bilhão: PPP do Sistema Adutor Regional das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ);
  • R$ 1,7 bilhão: desassoreamento de leitos por meio dos programas Rios Vivos e IntegraTietê;
  • R$ 1,7 bilhão: finalização das represas de Duas Pontes e Pedreira;
  • R$ 1 bilhão: desassoreamento e manutenção de reservatórios de contenção e piscinões urbanos;
  • R$ 642 milhões: fortalecimento tecnológico do CGE e modernização do Cepram;
  • R$ 464,5 milhões: investimentos em drenagem e manejo por meio do Fehidro;
  • R$ 400 milhões: custeio da Operação SP Sem Fogo;
  • R$ 376 milhões: apoio ao setor agropecuário em maquinário e subvenção a seguro rural;
  • R$ 181 milhões: combate a crimes ambientais e projetos de recuperação florestal.

O pacote contempla ainda o reforço da vigilância em saúde contra surtos epidêmicos, ampliação de estoques de insumos farmacêuticos e atendimento médico remoto via telessaúde em cenários de emergência.

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