Durante uma entrevista concedida à TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro tratou como um mero “detalhezinho” a proposta que ele apoia para extinguir a rastreabilidade das munições empregadas por policiais. A eliminação dessa marcação representa um claro obstáculo no enfrentamento ao crime organizado, distanciando o país das diretrizes internacionais voltadas para coibir o tráfico e o desvio de armamentos.
Historicamente, a identificação de lotes foi crucial para solucionar crimes graves. Sem essa tecnologia, os executores da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros de fuzil em 2011, não teriam sido descobertos. Naquela ocasião, Flávio ironizou o homicídio cometido por policiais por meio de uma publicação nas redes sociais: “Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com q ela humilhava policiais nas sessões contribuiu p ter mts inimigos [sic]”. Além disso, o parlamentar já atuou na defesa de um policial militar apontado como autor da morte de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos atingida por um disparo de fuzil.
Especialistas apontam que a flexibilização do controle bélico impulsionada pela gestão anterior gerou impactos profundos na segurança pública. Conforme dados do Instituto Sou da Paz, até agosto de 2022 o governo de Jair Bolsonaro emitiu 17 decretos, 19 portarias, 2 resoluções e 3 instruções normativas para afrouxar as regras de acesso a armamentos e projéteis. No final de 2020, o país contabilizava 1 arma particular para cada grupo de 100 habitantes, totalizando 2 milhões de registros. O histórico do próprio senador também inclui o voto contrário a um projeto na Alerj, em 2009, que previa a suspensão da posse de arma para policiais envolvidos em casos de violência doméstica.
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