A solução para os motores de combustão pode estar no combustível

A solução para os motores de combustão pode estar no combustível

Automóveis

Embora os automóveis elétricos ganhem cada vez mais espaço, a imensa frota de veículos movidos a gasolina e gasóleo que já trafega pelas vias continuará a rodar por muitos anos. Esse cenário impõe que a redução das emissões desses modelos faça parte central do desafio da descarbonização, abrindo espaço para alternativas no próprio combustível, como os biocombustíveis e os sintéticos, capazes de cortar emissões sem a necessidade de substituição imediata dos veículos.

“Os carros duram muito tempo na mão das pessoas”, lembra João Reis, representante da Plataforma para a Promoção dos Combustíveis de Baixo Carbono. O tema foi debatido durante um evento automotivo no Porto, onde foram abordados o potencial, as limitações e os obstáculos para a adoção dessas tecnologias.

A realidade dos combustíveis de baixo carbono

Contrariando a ideia de que seriam tecnologias exclusivas do futuro, os combustíveis de baixo carbono já fazem parte do presente. Conforme apontado por João Reis, os produtos comercializados atualmente nos postos de abastecimento já contam com a incorporação de biocombustíveis, auxiliando na diminuição das emissões ligadas aos derivados fósseis.

O especialista dividiu o setor em duas grandes frentes: os biocombustíveis, derivados de matérias-primas biológicas, e os combustíveis sintéticos, obtidos por meio de reações químicas que unem hidrogênio e carbono.

Dentre as alternativas disponíveis, destacou-se o HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado), um insumo renovável fabricado a partir de rejeitos como óleos de cozinha usados. Esse material é capaz de diminuir em até 90% as emissões de gases estufa ao longo de todo o seu ciclo de vida em comparação ao diesel comum, sendo aplicável em motores movidos a óleo diesel compatíveis.

Para o especialista, essa tecnologia desempenha um papel fundamental na transição ecológica de frotas que não utilizam sistemas elétricos. “As soluções existem, os produtos existem. É preciso vontade política”, afirmou, ressaltando que o mercado produtivo precisa ganhar escala para suprir uma demanda maior.

Desafios no transporte pesado e pluralidade tecnológica

João Reis também destacou a importância dos combustíveis de baixo carbono para o segmento de transportes pesados, setor onde a adoção de baterias esbarra em complexidades ligadas ao peso, à autonomia e à capacidade de carga útil dos veículos.

A visão defendida aponta para uma transição energética pautada na combinação de múltiplas frentes, em vez de apostar em uma tecnologia única. Sem descartar a mobilidade elétrica, o porta-voz reforça que as matrizes alternativas precisam permanecer no centro do debate sobre o corte de emissões.

“Não podemos é ter uma solução, temos de ter várias”, afirmou, citando os biocombustíveis, o hidrogênio e o biometano como alternativas viáveis a serem consideradas.

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