A Mercedes-AMG reconheceu publicamente que existem aspectos que não podem ser compensados apenas com o acréscimo de potência, admitindo que uma parcela expressiva de seus consumidores não aceita substituir um motor de oito cilindros por um de quatro, mesmo diante de números superiores na ficha técnica.
Essa percepção pública surgiu após a introdução do Mercedes-AMG C 63 E-Performance, apresentado em 2022, que substituiu o tradicional motor V8 biturbo por um conjunto híbrido plug-in composto por um propulsor de 2,0 litros e quatro cilindros. Embora o modelo tenha alcançado impressionantes 680 cv e 1020 Nm de torque — superando com folga o antecessor V8 —, a mudança gerou controvérsias e não conquistou a totalidade da clientela.
O C 63 S E-Performance consolidou-se como o marco central dessa decisão debatida da divisão esportiva em suprimir o V8 de diversas categorias. O próprio diretor-executivo da fabricante, Ola Källenius, admitiu a situação em entrevista à Road & Track: “O que talvez tenhamos subestimado na altura foi que os adeptos do bom e velho V8 são um público muito fiel. Por isso, não conseguimos trazer a tribo inteira connosco”.
O retorno estratégico dos motores V8
A mudança de postura não ficou restrita ao campo verbal. Stefan Weckbach, CEO da Mercedes-AMG, ratificou no mesmo contexto que a empresa está resgatando uma dimensão fundamental de sua essência. “Aprendemos com a reação dos nossos clientes. Por vez, voltamos àquilo que os nossos clientes adoram: os AMG V8”, pontuou o dirigente.
Os propulsores de oito cilindros nunca deixaram totalmente o portfólio da companhia, mas ganham novo fôlego impulsionados por uma atualização profunda do motor 4.0 V8 biturbo, batizada de M177 EVO. A principal inovação consiste na adoção de uma cambota plana, similar à utilizada nos V8 e V12 da Ferrari, além de já atender integralmente às exigências da norma Euro 7, que entra em vigor no final de novembro.
A tecnologia estreou na reestilização do Classe S e já equipa os utilitários desportivos Mercedes-AMG GLE 63 e GLS 63, mantendo 612 cv e 850 Nm de torque. No exclusivo CLE 646 Spezialanfertigung, com produção restrita a apenas 30 unidades, a potência atinge 646 cv. Além disso, Weckbach assegurou o lançamento de um CLE 63 equipado com motor V8 para 2027, desprovido da restrição de tiragem do CLE 646.
O futuro dos motores V12
A declaração mais inesperada de Ola Källenius ocorreu quando o executivo foi questionado sobre a possibilidade de a montadora atender aos consumidores que ainda anseiam por um motor de 12 cilindros. A resposta foi sucinta: “Fiquem atentos”.
Apesar de não representar uma confirmação formal do retorno do V12 à divisão esportiva, a declaração mantém aberta essa possibilidade. Atualmente, o propulsor de doze cilindros permanece em linha no Mercedes-Maybach S 680, com disponibilidade restrita a mercados selecionados.
Contudo, a retomada dos blocos V8 e a abertura para os V12 não indicam o abandono da eletrificação pela marca. O recém-revelado AMG GT SUV elétrico demonstra justamente o oposto, evidenciando uma estratégia equilibrada entre propulsão tradicional e eletrificada.
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