O conselho eleitoral haitiano remarcou para o próximo ano as eleições presidenciais. Reconhecido como o país mais populoso do Caribe, o Haiti não realiza pleitos eleitorais desde 2016, enquanto seu último presidente foi assassinado no ano de 2021.
Ao longo do tempo, sucessivos líderes de transição postergaram a votação sob a justificativa de que falta segurança no território, agravada pela expansão das áreas dominadas por organizações criminosas armadas.
Desde 2024, tropas estrangeiras atuam no país no contexto de missões de segurança com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas). O objetivo é auxiliar a polícia haitiana na proteção dos bairros e viabilizar um processo de votação seguro e confiável.
Anteriormente, em julho, o conselho eleitoral do Haiti havia fixado as eleições para 13 de dezembro. No entanto, no começo deste mês, o órgão comunicou que o cronograma estava em revisão, sem detalhar novos prazos.
O cronograma atualizado divulgado pelo conselho nesta quarta-feira (28) estabelece o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas para 18 de julho de 2027. Já o segundo turno, somado às eleições locais, ficou agendado para 4 de outubro.
Crise de segurança e envio de tropas
A divulgação do calendário surge pouco mais de uma semana após o desaparecimento de quatro técnicos de aviação salvadorenhos, vítimas de uma emboscada contra o automóvel em que viajavam por uma região dominada por gangues nos arredores de Porto Príncipe.
Diante da situação, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, determinou uma operação de resgate e mobilizou centenas de soldados para a nação caribenha, embora não tenha detalhado a estrutura de comando, o tempo de permanência ou as atribuições específicas dos militares.
O Ministério das Relações Exteriores de El Salvador comunicou nesta quarta-feira que Bukele manteve contato telefônico com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aime, com a intenção de enviar mais de 2.000 militares.
Em nota própria, o gabinete de Fils-Aime confirmou o diálogo e declarou que os dois líderes “reafirmaram seu compromisso de reforçar a coordenação bilateral e a cooperação operacional no âmbito da Força de Repressão às Gangues (apoiada pela ONU), especialmente para apoiar operações de resgate e enfrentar os desafios de segurança”.
Até o momento, o gabinete não se pronunciou sobre um pedido de esclarecimento a respeito da possibilidade de as novas forças salvadorenhas integrarem a missão apoiada pela ONU ou se atuarem de forma independente.
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