Crise do Ueno freia procura de brasileiros por negócios no Paraguai, diz Câmara de Comércio

Crise no Ueno Bank reduz interesse de empresários do Brasil no Paraguai

Mercados

A crise envolvendo o Ueno Bank provocou uma retração temporária no interesse de empresários brasileiros pela abertura de empresas no Paraguai, movimento que havia disparado após a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro, de acordo com dados da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai.

Logo após o pleito brasileiro, a procura por suporte jurídico e contábil na entidade foi tão expressiva que a agenda dos consultores ficou totalmente lotada. No entanto, a recente intervenção no banco paraguaio fez com que parte dos investidores adotasse uma postura de espera.

“Foi uma semana bem intensa. E recebemos a notícia com balde de água fria nesta última semana, de que muitos empresários já estão meio receosos de ir para lá”, afirma Jeancarlos Araldi, vice-presidente financeiro da Câmara.

O Banco Central do Paraguai submeteu o Ueno Bank a um procedimento de resolução na terça-feira (3), após a identificação de problemas em sua situação financeira e de fraude envolvendo o Grupo Vázquez —controlador do banco. A medida suspendeu as operações da instituição e deu início ao processo de transferência e pagamento de depósitos a clientes.

A entidade registrou questionamentos de brasileiros com saldo na instituição, mas Araldi destaca que, entre os associados assessorados, o impacto atingiu majoritariamente pessoas físicas, e não corporações. O executivo explica que o banco era amplamente utilizado por brasileiros na fronteira e por paraguaios com rendimentos menores. “É muito difícil uma empresa ter uma conta nele, são mais pessoas físicas”, diz.

Para prestar auxílio, a instituição criou um grupo de trabalho com advogados e economistas. Conforme Araldi, algumas empresas já reaveram valores retidos em outros bancos locais, embora a entidade ainda não contabilize o total de atendimentos realizados.

Impacto limitado nos negócios

A freada nos investimentos também foi observada por Luiz Fernando Nóbrega, presidente do Instituto Paulista de Contabilidade, que liderou uma comitiva de empresários ao país vizinho dias antes da crise bancária. Para ele, a cautela é natural entre aqueles que avaliavam iniciar operações no território paraguaio. “Muitas pessoas que eu conheço que estariam já dispostas a começar a pensar com mais seriedade pisaram no freio, o que é natural”, diz.

A avaliação do contador é de que os reflexos sobre companhias brasileiras já estabelecidas no país serão restritos, afetando no máximo fornecedores locais que eventualmente possuam capital imobilizado na instituição. Contudo, os efeitos são indiretos, como no caso de uma exportadora prejudicada pela falta de liquidez de um parceiro logístico paraguaio. “Tem um impacto, mas ele não é tão relevante”, afirma.

Nóbrega reforça que as empresas visitadas mantêm a convicção de expandir para o Paraguai, atraídas pelas vantagens tributárias, custos operacionais competitivos e proximidade geográfica. “Logo o Paraguai vai voltar a ser uma opção bem forte para ser considerada”, afirma. O apelo inclui a Lei de Maquila para produtos exportados e subsídios para importação de maquinário, exigindo apenas um estudo logístico prévio. “Quando a empresa começa a entender a soma desses benefícios, ela tem uma possibilidade bem bacana de uma economia tributária”, afirma.

A fabricante de meias Lupo, inaugurada em junho de 2025 em Ciudad del Este como sua primeira fábrica internacional, garantiu que suas atividades seguem rotineiras. A companhia ressaltou que não possui vínculo com o Ueno Bank, movimentando recursos por outra instituição financeira. A unidade recebeu R$ 30 milhões em aportes, capacidade para 20 milhões de pares anuais e custos de produção 28% inferiores aos do Brasil.

Visão dos empresários

O escândalo político e financeiro também não demoveu o empresário Luciano Hang, dono da Havan, de seus planos no país. Hang faz parte do grupo de empresários de direita que têm defendido a migração para o Paraguai em busca de “liberdade econômica e conservadorismo nos costumes”.

Em nota emitida nesta sexta-feira (6), Hang classificou a cobertura da imprensa sobre o caso como “ideologicamente enviesada”, pontuando que a exigência de renúncia do presidente Santiago Peña evidencia a solidez das instituições locais e a eficácia democrática. “Não existe lugar no mundo onde não aconteçam escândalos, seja em um município, estado ou país. O importante é que tudo seja esclarecido e os culpados sejam punidos. Até agora, as instituições estão funcionando corretamente. Simples assim”, disse Hang.

Após se reunir com Peña neste ano, o dono da Havan confirmou que prossegue na busca por um terreno para erguer sua primeira megaloja internacional. “Estamos procurando um lugar para investir, construir nossa megaloja, gerar empregos e levar a Havan aos paraguaios. Seguimos trabalhando para que esse projeto se torne realidade”, afirmou Hang.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *