A diplomata sênior Lana Nusseibeh, dos Emirados Árabes Unidos, oficializou sua candidatura nesta quarta-feira para se tornar a próxima secretária-geral da Organização das Nações Unidas. Com o movimento, a disputa ganha uma representante de peso do Oriente Médio em um processo que enfrenta dificuldades para alcançar um consenso entre os membros mais influentes do Conselho de Segurança.
Atuando como ministra de Estado no Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos e tendo servido como embaixadora do país na ONU por mais de dez anos, Nusseibeh ingressou tardiamente na corrida. Uma votação informal recente realizada pelo Conselho de Segurança apontou a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, na liderança por uma margem estreita, conforme apontado por fontes.
Apesar de Grynspan ter liderado essa “votação informal” na semana passada, tanto ela quanto os demais concorrentes receberam dois ou menos votos contrários dos cinco membros permanentes do Conselho — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia —, que detêm a palavra final. Atualmente, os integrantes do órgão avaliam se realizarão uma nova votação na sexta-feira ou em data posterior.
Diplomacia empreendedora
Aos 48 anos, Nusseibeh relatou ter sido procurada por diversos países durante a última Assembleia Geral da ONU para lançar sua candidatura. Ela foi responsável por comandar a campanha vitoriosa dos Emirados Árabes Unidos para uma vaga no Conselho de Segurança, sendo amplamente reconhecida por diplomatas em Nova York como uma administradora qualificada.
“Hoje em dia, reconhece-se que precisamos de alguém que proporcione uma mudança geracional para a organização”, pontuou ela.
O período em que esteve à frente da representação na ONU coincidiu com a deflagração da guerra em Gaza, em 2023. Na ocasião, ela articulou a aprovação da Resolução 2720, viabilizando o fluxo de suprimentos humanitários. A diplomata explicou que obteve o apoio necessário ao coordenar uma visita dos membros do Conselho ao posto de fronteira de Rafah, permitindo que testemunhassem a realidade in loco. Ela classificou a ação como parte de sua “diplomacia empreendedora criativa”, marca registrada de sua atuação.
Diplomacia incansável
Na condição de uma das principais vozes da diplomacia dos Emirados Árabes Unidos, Nusseibeh tem defendido a postura externa firme de Abu Dhabi, marcada pela oposição rígida ao islamismo político.
O país tem sido alvo de questionamentos sobre o Sudão, após monitores de sanções da ONU classificarem como críveis as acusações de que o governo teria prestado suporte militar às Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar local. Os Emirados Árabes Unidos refutam tais acusações. Questionada a respeito do impacto dessas suspeitas sobre sua campanha, Nusseibeh destacou que se licenciou de suas funções governamentais e que dedicará sua atenção à crise humanitária sudanesa.
Caso saia vitoriosa, Nusseibeh será a segunda secretária-geral da ONU originária do Oriente Médio, sucedendo o egípcio Boutros Boutros-Ghali. Ela também quebraria barreiras ao se tornar a primeira mulher a comandar a instituição, embora ressalte que sua motivação não se apoia no gênero.
“Venho de um país mais jovem do que as Nações Unidas, mas nossa região vem enfrentando sérios desafios”, afirmou. “Acho que seria ótimo se a próxima secretária-geral fosse uma mulher, mas não estou concorrendo por ser mulher; estou concorrendo porque sou obstinadamente otimista em relação ao futuro das Nações Unidas e acredito que precisamos de alguém que seja incansável na busca pela diplomacia para abrir portas.”
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